A captação de recursos e o empreendedorismo
Autor: Giórgio de Jesus da Paixão*
Como um empreendedor que não detém recursos financeiros de grandes vultos poderá alcançar a consecução de seus objetivos?
Como descreve Freire (2005), “o grande problema reside em micro-empreendimentos que não detêm um capital inicial adequado. Uma realidade que permeia a maioria dos pequenos empreendimentos”.
Então, para começar sem capital, devemos armar um negócio onde seja mínima a necessidade de fazer investimentos em ativos fixos e em estoques de mercadorias, que não tenha perdas operacionais (ou que estas se reduzam ao mínimo) e cujas contas a receber sejam menores (ou de menor prazo) e as contas a pagar tenham o maior prazo possível. (Freire, 2005, pág. 83)
Há a necessidade de se estabelecer também, uma diferenciação entre o empreendedorismo nos países desenvolvidos e nos outros países. É claro, que não queremos diferenciar o papel do empreendedor nestas duas esferas e sim, demonstrar que os mesmos não possuem fatores externos iguais.
Sem dúvida, em países emergentes é muito difícil conseguir capital. As principais razões se relacionam com as possibilidades de o investidor sair do negócio, desfazendo-se de sua participação acionária e assim não realizando os lucros que esperava auferir [...] nos países desenvolvidos, quando um empreendedor não encontra investidores para começar um projeto, costuma buscar alternativas para conseguir os recursos necessários. A primeira delas é o crédito bancário ou financeiro. As estatísticas mostram que nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 15% dos empreendimentos começam graças ao crédito direto, por meio de vários tipos de empréstimos (FREIRE, 2005, PÁG. 75-81).
Freire (2005) indica que existe uma equação de consumo de capital, ou seja, a fórmula que indica de quanto capital vamos precisar. Estes três fatores são:
• Investimentos em ativos fixos, que precisamos para comprar móveis e materiais de consumo, alugar e fazer deposito de garantia para um escritório ou outras instalações, fazer as despesas iniciais para adquirir ou alugar máquinas etc. Em geral, na contabilidade da empresa estes bens são registrados como ativo, que se deprecia (amortiza) ao longo do tempo. Eventualmente, esta rubrica inclui também os desembolsos necessários para o funcionamento de uma sociedade comercial;
• Perdas Operacionais, que são dadas pelas diferenças negativas entre o faturamento e os gastos. Embora a lógica de um negócio seja que as entradas devam superar as saídas, há momentos em que esse fluxo pode ser negativo, particularmente no inicio, e os recursos para cobrir essa diferença devem ser financiados de algum modo;
• Capital de Giro, que é o resultado liquido de três variáveis: as contas a pagar, as contas a receber e o estoque de mercadorias que é necessário manter. Enquanto os estoques e as contas a receber somam ao capital de giro, as contas a pagar são deduzidas dele. Se o resultado liquido é negativo, isso significa que é preciso financiar essa quantia de alguma forma. Aqui, além do montante, importam os prazos de pagamento e de recebimento das variáveis que o compõem, já que, quanto mais rápido se receba e mais possa diferir os pagamentos, menor será a necessidade imediata de capital.
O montante necessário de investimento para um projeto é dado por esta soma:
INVESTIMENTOS + PERDAS OPERACIONAIS ACUMULADAS – CAPITAL DE GIRO.
Já o capital de giro é o resultado liquido de:
ESTOQUES + CONTAS A RECEBER – CONTAS A PAGAR.
Sendo assim conhecimento, capacitação e inovação são cernes para conceber um negócio que disponha de sustentabilidade e aporte financeiro, diminuindo a margem de incerteza e aumentando o arcabouço técnico.
Referências:
FREIRE, Andy. Paixão por empreender: como colocar suas idéias em prática : como transformar sonhos em projetos bem-sucedidos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 147 p.
*Giórgio de Jesus da Paixão é graduado do curso de Administração Pública da UDESC/ESAG. Atualmente é colaborador do SENAI.
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