A sociedade precisa inovar em processos e políticas públicas para enfrentar as mudanças climáticas
Fonte: Revista Sustentabilidade
Escrito por Alexandre Spatuzza
A sociedade tem de, urgentemente, inovar os processos produtivos, de administração e de políticas públicas, para que possa implementar a ruptura necessária e responder aos desafios que a degradação ambiental e as mudanças climáticas estão impondo, concluiu em entrevista exclusiva à Revista Sustentabilidade, Fernando Almeida, presidente do Conselho Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).
“Eu acredito que não temos mais tempo para fazer as mudanças gradualmente, precisamos de uma ruptura”, disse. “Avançamos muito em termos de consciência, mas na prática ainda estamos muito atrasados”.
Para Almeida, o enfrentamento passa pela busca de soluções para os seguintes problemas urgentes que já estão trazendo sofrimento para grande parte da população mundial e que, no final, vão limitar a atuação das empresas: o clima, a água, a miséria e direitos humanos.
“Já estamos utilizando 125% dos recursos naturais do planeta, esgotando a capacidade de recuperação”, lembrou.
No âmbito empresarial, Almeida direciona o debate dentro do Conselho para abordar a questão do reinvestimento dos lucros e da inovação.
Segundo o ambientalista, as empresas precisam começar a reinvestir os seus lucros para resolver estas questões e incluir nas suas estratégias de pesquisa, desenvolvimento e inovação, políticas que possam transformar as patentes em utilidades públicas, ou seja, ao invés de proteger as inovações, abri-las para que estejam disponíveis para qualquer um, aumentando assim, a velocidade de implementação.
Um exemplo claro são as tecnologias de geração de energia renováveis, como as eólicas e as solares, cujas patentes são controladas por empresas localizadas em países desenvolvidos, o que deixa o custo destas inacessível para os países em desenvolvimento.
“Mesmo dentro do CEBDS estas questões são bem polêmicas,” lembrou. “Mas é uma questão de sobrevivência da empresa, pois se não fizerem isso vão experimentar uma redução no número dos seus consumidores e clientes [no futuro] e por isso, só queremos no conselho as empresas que querem sobreviver nos próximos 100 a 150 anos”.
Mas para ele, antes de focar em inovação tecnologica as empresas precisam inovar na gestão e visão de seus negócios.
Assim, a entidade investe em parcerias com escolas de negócios, como a Fundação Dom Cabral e Getúlio Vargas, e em eventos, como é o caso do Congresso Anual Sustentável, que conta com a presença de líderes empresariais e acadêmicos já comprometidos com a questão.
Estas ações são financiadas pelos seus associados, que são empresas multinacionais e gigantes nacionais, como Ambev, Alcoa, Petrobras, Bayer, Coca-Cola, Souza Cruz, Banco Real, entre outras.
FRAGILIDADE AOS ‘LOBBIES’
Por outro lado, Almeida vê que o setor público ainda caminha devagar nestas questões, pois o conceito de preservação de recursos naturais ainda é pontual dentro governo, enquanto ambos, o executivo e legislativo, ainda estão andando a passos lentos.
“O governo não tem uma visão global e falta capilaridade sobre a questão ambiental”, criticou.
Para ele, políticas de incentivos recentes, como a redução do Imposto de Produto Industrializado (IPI) para eletroeletrônicos e automóveis vão em direção oposta à preservação ambiental, pois não foram consideradas a redução das taxas incidentes sobre energia renovável, a exemplo dos aquecedores solares e até geradores eólicos.
Almeida, portanto, concluiu que, a partir desta análise, o resultado é que as experiências positivas são apenas pontuais, brecando a velocidade da mudança.
Para ele, a sociedade precisa que as mudanças sejam feitas em níveis regionais, nacionais e até internacionais.
“A mudança vai acontecer, mas a pergunta é se vai ser com ou sem tragédia”, alertou. “Os que foram afetados pelo vendaval, sabem muito bem o que é sustentabilidade, mas nós, que estamos nos centros [de decisão] como Rio de Janeiro e São Paulo, não sabemos”.
Almeida, no entanto, admite que as mudanças conceituais nos setores empresariais e público estão em curso, mas, para haver um aumento efetivo na velocidade das mudanças – que para ele têm de acontecer nos próximos cinco anos – falta ainda um termo na equação: o surgimento de novas lideranças.
“Precisamos de milhares de novos Mandelas da sustentabilidade”, concluiu.
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A Sociedade sempre se move com lentidão.
Sempre precisa “ver para crer”.
Os projetos que já acontecem ainda não tem impacto suficiente, são dos que “creem para ver” e passam a gerar MOVIMENTO. MOVIMENTOS….
Obviamente, precisamos movimentos MASSIVOS para que essa mudança aconteça.
E isso vai acontecer, com ou sem CAOS.
Espero que a “ficha caia” antes do CAOS.
Agradecendo….
claudinhaV