Agricultura Familiar Sustentável e o Caso da Feira de Produtos Coloniais

Por Adriana Garda de Souza*

A expressão agricultura familiar remete ao público alvo de nosso trabalho e a realidade de muitas regiões, trazendo em si um importante conceito, que significa sobrevivência do pequeno agricultor em nossa sociedade.

Num projeto de desenvolvimento alternativo, sustentável e solidário, o debate indica que a agricultura familiar tem uma contribuição decisiva a dar, seja na geração de emprego, no barateamento da comida, na liberação de renda pra outros setores da economia, e na melhoria das condições de vida. Porém, para que isso se concretize, é necessário considerar a população do campo como sujeito de um processo em desenvolvimento com base na agricultura familiar, com objetivo de inseri-los na sociedade com qualidade de vida. Essa inserção trás implicações na obtenção de renda e na distribuição da mesma dentro da família. (Agricultor Familiar é todo aquele agricultor que trabalha com mão de obra familiar, tendo 80% de sua renda advinda exclusivamente da propriedade, e que produza alimento para sua sustentabilidade).

O que se pretende nesse processo de organização é permitir aos agricultores uma melhor negociação do preço de seus produtos com os compradores, gerando ganhos médios superiores ao que recebiam quando comercializavam isoladamente, além de possibilitar o acesso a um público maior e diversificado, até então não disponível. Somado ao trabalho direcionado de assistência técnica, qualificação profissional, matéria-prima de qualidade, ampliação do número de vendas, aumento na escala de produção, diminuição dos custos, pretende-se aumentar a eficiência da atividade. Para se chegar a este patamar, o grupo necessita ir se estruturando para poder garantir o controle da qualidade da atividade em toda escala produtiva.

Outra conseqüência positiva é evitar a saída de grande número de jovens que abandonam suas propriedades no meio rural em busca de alternativas nos grandes centros urbanos, fazendo com que a mão de obra familiar diminua, sobrecarregando as atividades de responsabilidades das mulheres, coordenada pelas mesmas e seus filhos.

O objetivo maior do nascimento do grupo de agricultores artesãos e fabricantes de produtos coloniais de São João Batista (SC) é obter mais uma alternativa de renda. Esses agricultores e agricultoras da região já fabricam as atividades que podem desenvolver em suas áreas, as quais variam desde produção, até criação e comercialização.

Com uma feira semanal na sede do município, pretende-se iniciar a comercialização, e com as demandas, o grupo irá se aperfeiçoando, ao passo que crescem de forma organizada. Para tanto, faz-se necessária a elaboração de um estatuto e de pessoas engajadas na coordenação. Esse grupo começa com dez agricultores que trazem seus produtos para venda, solidificando qualitativamente a relação direta com o consumidor, levando a mercadoria a chegar mais barato por não haver um atravessador. Neste sentido, todos saem ganhando.

Partir para uma experiência de Cooperativismo é o próximo passo. Para isto, o Grupo participa de capacitações como, por exemplo, aprendizagem de fabricação de geléias e doces, e em seguida, confeitaria. Já estão programados outros, como Empreendedorismo e Gestão empresarial. O grupo conta com o apoio do parceiro SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), que fornece aos alunos os certificados aprovados pelo MEC. Além disto, ocorrem reuniões de grupo periódicas, palestras técnicas e visitas in loco visando o apoio operacional e psicológico do grupo. A Prefeitura Municipal de São João Batista corrobora diretamente com o Projeto – cedeu a Praça Central do Município para a feira instalar-se e também proporciona apoio logístico. Com a formação da cooperativa haverá um CNPJ, legalizando a atividade, bem como diminuição dos encargos trabalhistas. A idéia original é partir para uma experiência onde cada produtor tenha sua unidade fabril.

Cada passo dessa experiência é um aprendizado, um amadurecimento que resulta num crescente aperfeiçoamento profissional dos agricultores envolvidos.

Essa experiência é uma ação concreta de que é possível o pequeno agricultor permanecer em sua área rural e gerar renda melhorando a qualidade de vida da família.

*Adriana Garda de Souza – Engª Agrônoma Projeto Microbacias2.

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Comentários

Um grupo heterogêneo que se une com uma finalidade comum, partir para uma experiênca de cooperativa Descentralizada, é um desafio onde os participantes tem que se munir de capacitações de várias áreas: Técnicas específicas em seu ramo de fabricação, comerciais, administrativas, de associativismo, de empreendedorismo, relações humanas.e, acima d e tudo aprender com a experiência prática.esse grupo está se encaminhando para isso, dando os primeiros passos, mas sempre tendo em mente o objetivo maior, geraçaõ de renda em sua unidade fabril rural.

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