Apenas 39,6% da Amazônia brasileira estão sob proteção: informação faz parte de mapa organizado por onze ONGs sul-americanas
Fonte: ENVOLVERDE/AMAZÔNIA.ORG.BR
Mapa a ser publicado nesta semana por uma rede de onze ONGs sul-americanas mostra que o Brasil é um dos países que têm proporcionalmente menos territórios indígenas e áreas protegidas na região amazônica. Estão sob proteção 39,6% da Amazônia brasileira, contra 56% da Amazônia colombiana, 79,7% da equatoriana e 71,5% da venezuelana. Somente o Peru destina uma proporção menor de sua selva às reservas florestais e às comunidades indígenas: 34,9%. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
O mapa, produzido pela Raisg (Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada), é o primeiro a localizar as áreas protegidas e os territórios indígenas dos nove países amazônicos. Em números absolutos não há como comparar a extensão dessas terras com a fatia proporcionalmente menor sob proteção no Brasil – país que tem 64,3% da Amazônia. Porém, o estudo revela que alguns países da região têm mantido a sua porção amazônica razoavelmente protegida, o que, em alguns casos, significa uma proporção grande do território nacional.
Na Colômbia, por exemplo, toda a Amazônia (que representa 43,3% do país) é considerada “reserva florestal” – embora apenas 13% estejam efetivamente em áreas protegidas. São 240 mil quilômetros quadrados em terras indígenas”, diz o jornal em sua edição desta segunda-feira.
No Brasil, as terras indígenas respondem por 13% da área nacional, número que o ministro para Assuntyos Estratégicos, Mangabeira Unger, já disse considerar alto demais. Em outros países o processo de demarcação das terras indígenas é mais atrasado. O governo venezuelano não reconhece as terras, denominando-as “zonas de ocupação indígena”, sobrepostas a parques nacionais.
A boa notícia do mapa é a constatação de que mesmo com 33 milhões de habitantes e 370 povos indígenas distribuídos por nove países, a Amazônia possui 41,2% dos seus 7,8 milhões de quilômetros quadrados sob algum tipo de proteção. Ainda assim, 17% da floresta já tombaram em toda a região, e ainda não há um diagnóstico preciso sobre o que está acontecendo dentro de cada área protegida.
Na fronteira do Brasil com o Peru, por exemplo, há ação de madeireiros do lado peruano, apesar de haver um mosaico contínuo de áreas protegidas de ambos os lados. Esse mapeamento deverá ajudar no desenvolvimento de estratégias de conservação transfronteiriças. E ajuda a visualizar o impacto que decisões tomadas em um país podem ter sobre a floresta e as populações indígenas do vizinho. O mapa poderá ser obtido a partir da próxima sexta-feira no site: http://www.raisg.socioambiental.org.
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