Aquecimento global pode deixar metade do mundo inabitável, aponta estudo
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Um estudo elaborado pelas universidades de New South Wales, na Austrália, e de Purdue, nos Estados Unidos, concluiu que o aquecimento global pode deixar até metade do planeta sem condições de ser habitado nos próximos séculos, informou à BBC Brasil.
Para chegar a tal conclusão foram considerados os piores cenários de modelos climáticos. No entanto, o estudo publicado na última edição da revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences informa que tamanho impacto é improvável ainda neste século. Já no século 22, várias regiões esteriam sob um calor intolerável para humanos e outros mamíferos.
“Descobrimos que um aquecimento médio de 7 graus Celsius (°C) faria com que algumas regiões ultrapassassem o limite do termômetro úmido [equivalente à sensação do vento sobre a pele molhada], e um aquecimento médio de 12ºC deixaria metade da população mundial em um ambiente inabitável”, afirmou o pesquisador Peter Huber, da Universidade de Purdue.
Segundo os cientistas, ao calcular os riscos das emissões atuais de gases-estufa, é necessário considerar os piores cenários, como os previstos no estudo. Ao mencionar um aquecimento médio de 12ºC, Huber explicou que este índice significaria até 35ºC no chamado termômetro úmido nas regiões mais quentes do planeta.
Atualmente, as temperaturas mais altas nessa medida nunca ultrapassam 30ºC. A partir de 35ºC no termômetro úmido, o corpo humano só suportaria algumas horas antes de entrar em hipertermia (sobreaquecimento).
Consequências
O estudo também ressalta que o calor já é uma das principais causas de morte por fenômenos naturais e que muitos acreditam, erroneamente, que a humanidade pode simplesmente se adaptar a temperaturas mais altas.
“Mas, quando se mede em termos de picos de estresse incluindo umidade, isso se torna falso”, alertou o professor Steven Sherwood, da Universidade de New South Wales.
Calcula-se que um aumento de apenas 4ºC medido por um termômetro úmido já levaria metade da população mundial a enfrentar um calor equivalente a máximas registradas em poucos locais atualmente.
Previsões
Mas outros estudos científicos já demonstram que os efeitos negativos das mudanças climáticas para as populações estão mais próximos do que se imagina. De acordo com um relatório divulgado pela ONU em junho de 2009, o processo migratório devido às alterações do clima não só começou, como crescerá, assustadoramente, nos próximos 40 anos.
Segundo os cientistas, é difícil separar os efeitos do clima de outros fatores que estimulam o deslocamento populacional, como conflitos políticos, crises econômicas, crescimento da população, destruição de ecossistemas e esgotamento de áreas cultiváveis. Eles asseguram que as mudanças climáticas terão papel determinante ao ampliar todos os demais aspectos.
Segundo ele, quanto antes o mundo reduzir as emissões de gases de efeito estufa, menores serão as consequências para o clima futuro do planeta. “Esta é a nossa tarefa hoje: Construirmos uma nova sociedade, onde o uso dos recursos naturais seja feito de modo mais inteligente e sustentável em longo prazo”, afirmou à época.
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