As Olimpíadas da Sustentabilidade

Por Aspásia Camargo, da Revista Plurale

Em uma cidade castigada pelo esvaziamento econômico e pela perda de identidade política surgem as Olimpíadas de 2016 como esperança de revitalização do Rio e de sua transformação em uma cidade sustentável. O maior aliado do meio ambiente é o desportista, que exige ambiente saudável- ar puro e água limpa- e beleza natural como cenário para suas glórias e disputas. No Rio, temos beleza natural de sobra e ambiente saudável de menos.

Nosso maior adversário é a Chicago de Barack Obama, cidade limpa que se considera a mais verde do mundo, com prédios ecológicos, lagos balneáveis e uma rede de metrô invejável. Temos oito meses para planejar a mudança e, se formos selecionados, mais seis anos para implantá-las, tornando realidade a utopia da sustentabilidade que o Rio viu nascer durante a Conferência Mundial de 1992. Ao contrário do PAN e da última candidatura às Olimpíadas, desta vez o Comitê Organizador criou uma Diretoria de Sustentabilidade que exige o transporte de massas e a despoluição do Complexo Lagunar da Barra e da baía de Guanabara.

Sustentabilidade, porém, é mais do que isso. É o desenvolvimento econômico que virá com um turismo mais profissional e ecológico. É a inclusão social, formando desportistas nos clubes e comunidades pobres; e a oportunidade de inserir ambulantes subempregados no projeto de mudança. Sustentabilidade é também a convivência urbana em ambiente acolhedor e seguro. Sem abandonar o velho amor à rua, vamos acabar com a idéia de que “o espaço de todos é de ninguém”. Não jogar lixo nas calçadas nem urinar por aí é dever do cidadão que depende de lixeiras e banheiros públicos.

A CPI que a Câmara de Vereadores realizou contra a desordem urbana demonstrou que uma ampla consulta popular pode ajudar a construir a ordem urbana e democrática que queremos a partir de um novo Código de Posturas e de Composturas que provoque, ao mesmo tempo, mudanças na precária legislação vigente mas também no comportamento cívico tolerante e anárquico. O Plano Diretor que devemos votar ainda este ano pode ser o canal de participação adequado para construir o Rio sustentável de 2016. O primeiro passo é extinguir a prática tolerada de distribuir espaço público com protegidos políticos – incompatível com uma cidade internacional e com as necessidades impessoais dos milhões de cidadãos que nela circulam. O espaço urbano é o sistema circulatório da cidadania.

* Aspásia Camargo é vereadora pelo PV no Rio de Janeiro e militante com vários anos de atuação em Meio Ambiente e formulação de Políticas Públicas. É Colunista mensal de Plurale.

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