Brasil pode reduzir em 37% emissões de CO2 sem comprometer o desenvolvimento

Portal EcoD – www.ecod.org.br

O Banco Mundial divulgou, em Brasília no dia 17 de junho, um estudo sobre cenários de desenvolvimento no Brasil a partir da diminuição das emissões de carbono entre 2010 e 2030.

De acordo com o levantamento, o país poderá reduzir os níveis brutos de gases de efeito estufa em até 37% e ainda assim manter os atuais índices de desenvolvimento, sem efeitos negativos sobre crescimento e empregos. Porém, para isso, serão necessários investimentos adicionais de R$ 44 bilhões por ano.

Cristophe de Gouvello, coordenador do Estudo de Baixo Carbono para o Brasil, explicou que o objetivo era pegar os planos de desenvolvimento brasileiros e ver se havia possibilidade de atingir metas diminuição das emissões de carbono, o que se apresentou possível. Sobre os altos valores de investimento, o Banco Mundial acredita que o custo de não agir para frear as mudanças climáticas pode ser ainda maior.

O relatório sugere ações de redução em quatro frentes:

* Energia;

* Desmatamento e Agropecuária;

* Transportes;

* Manejo de resíduos.

O setor com maior potencial de redução de emissões é o de mudança de uso da terra, que inclui desmatamento e agricultura, responsável por 75% das emissões brasileiras de gases estufa. O Banco Mundial calcula que até 2030, com esforço adicional, o Brasil poderá reduzir a derrubada de florestas em 68% em relação à tendência atual. O custo seria de pelo menos US$ 157 bilhões em 20 anos.

Nos setores de energia e de transportes, as possibilidades de redução são menores por dois motivos: a matriz energética brasileira é considerada limpa e o país usa etanol na sua frota de veículos. No caso do setor elétrico, investimentos adicionais de US$ 344 bilhões ate 2030 poderiam evitar o lançamento do equivalente a 213 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera.

“O grande desafio do setor energético é manter a matriz limpa. Os desafios no setor elétrico são permanentes. Ir além é difícil porque já se fez muito”, afirmou Gouvello.

Investimentos

De acordo com o relatório, os investimentos devem ser compartilhados entre o governo e a iniciativa privada. “O mercado tem papel importante, mas não vai resolver tudo. São necessárias políticas públicas”. A conta também deve incluir mecanismos internacionais de financiamento, que devem ser estabelecidos na negociação do clima da ONU para facilitar a transição para economias de baixo carbono, mais verdes.

Segundo o Diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop, a consolidação desse cenário de reduções das emissões é um grande desafio em termos de planejamento e financiamento. Mas pode levar a resultados positivos para a economia, como o impulso no crescimento do PIB anual e crescimento do emprego.

A ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou que o país é um dos líderes mundiais nas negociações do clima. A redução de 37%, projetada pelo Banco Mundial, está dentro da margem do governo brasileiro, que prevê reduzir as emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020. A proposta – apresentada durante a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro do ano passado, em Copenhague – até hoje não foi detalhada e não está claro como cada setor reduzirá as emissões.

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