Como uma pesquisa se consolida como política pública?
Escrito por Fernanda Dalla Costa
Fonte: Revista Sustentabilidade
Parcerias com o setor público e troca de informações entre níveis de graduação são a receita para transformar um projeto de pesquisa universitária em política pública, disse à Revista Sustentabilidade o geográfo Antônio Manuel de Oliveira, da Universidade de Guarulhos (UnG), cujo estudo sobre os mapas de temperaturas na cidade foi transformado em programa de arborização.
O ponto de partida, no entanto, é que os corpos discentes e docentes tenham vontade de desenvolver projetos que busquem a aplicabilidade nas questões sociais, uma tendência que está focando cada vez mais na questão das mudanças climáticas e do meio ambiente, explicou.
“As conquistas acadêmicas devem se voltar à sociedade no sentido do bem-estar humano”, concluiu.
Além disso, o apoio oficial de um órgão público de financiamento à pesquisa e inovação é um empurrão necessário para a aproximação com o setor público.
No caso da pesquisa de Oliveira, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Pauolo (Fapesp) investiu R$100 mil para que ele e os seus orientandos elaborassem o mapa termal de Guarulhos, a maior cidade da região metropolitana de São Paulo.
Um ano depois, o estudo foi usado pelos vereadores para instruir como devem ser as políticas de arborização da cidade, com o objetivo de reduzir as ilhas de calor.
Para ele, a experiência mostrou que trabalhos complementares de grupos de estudantes de graduação, especialização, mestrado e até doutorado podem trazer uma coerência interessante para os administradores públicos, já que produzem uma complementação de ideias, pontos de vista e profundidade de análises.
“A presença de um curso de pós-graduação na universidade é fundamental, pois proporciona uma profundidade que permite alcançar resultados favoráveis e aplicáveis”, explicou Oliveira.
Mas o ponto chave é ter uma boa interlocução com o setor público para que os grupos de pesquisa possam conhecer as principais necessidades da comunidade.
Oliveira salientou que foi importante, na elaboração do mapa termal, a participação da Empresa Municipal de Urbanismo de São Paulo (EMURB) através da pesquisadora Harmi Takya, que contribuiu com ferramentas e experiências.
Mas Oliveira lembrou que não são todos os administradores públicos que estão dispostos e preparados para essa parceria.
“Precisamos de parcerias com administradores que não estejam exercendo seu mandato por ele só, e sim que estejam comprometidos em resolver os problemas da comunidade”, disse. Para ele, somente assim haverá disposição política para que os resultados saiam do discurso e consigam mudar a realidade das pessoas.
O geógrafo destacou a importância das parcerias entre institutos de pesquisa e universidades que possibilitem agregar condições técnicas ou laboratoriais que uma instituição sozinha talvez não tenha.
Artigos relacionados:
- Empresas têm como desafio mostrar as boas intenções das ações: Pesquisa revela que práticas responsáveis podem restaurar imagem
- Pesquisa mostra causas da evasão escolar no país
- Preocupação com a sustentabilidade inclui toda cadeia produtiva: Pesquisa feita pela Deloitte reuniu informações de 115 empresas
- Pesquisa aponta que o consumidor está mais sustentável
- Mercado de CO2 voltará aos trilhos, aponta pesquisa
Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.


Comentários
Nenhum comentário.
Comente este artigo