Autor: Giórgio de Jesus da Paixão*

Temos de fazer um paralelo entre crescimento e desenvolvimento. Segundo Mendes (2008), a diferença é que o crescimento não conduz automaticamente à igualdade nem à justiça sociais, pois não leva em consideração nenhum outro aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo de riquezas, que se faz nas mãos apenas de alguns indivíduos da população. O desenvolvimento, por sua vez, preocupa-se com a geração de riquezas sim, mas tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade de vida de toda a população, levando em consideração, portanto, a qualidade ambiental do planeta.

Acreditamos que isso tudo seja possível, e é exatamente o que propõem os estudiosos em Desenvolvimento Sustentável (DS), que pode ser definido como: equilíbrio entre tecnologia e ambiente, relevando-se os diversos grupos sociais de uma nação e também dos diferentes países na busca da equidade e justiça social.

“Nessa abordagem, o desenvolvimento sustentável é composto pelas dimensões econômica, ambiental e empresarial. O objetivo é obter crescimento econômico por meio da preservação do meio ambiente e pelo respeito aos anseios dos diversos agentes sociais, contribuindo assim para a melhoria da qualidade de vida da sociedade” (TENÓRIO, 2004, pág. 25).

Para alcançarmos o Desenvolvimento Sustentável, a proteção do ambiente tem que ser entendida como parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente (MENDES, 2008).

Para Mendes (2008), o Desenvolvimento Sustentável tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas:

•    A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc.);

•    A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver);

•    A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e cada um a parte que lhe cabe para tal);

•    A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc.);

•    A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por exemplo, os índios);

•    A efetivação dos programas educativos.

Para elucidar de forma gráfica a dinâmica de funcionamento de um sistema de desenvolvimento econômico de transformação social, temos na Figura 06 um ciclo no qual devem atuar em parcerias as redes locais.
Figura 01 – Rede de desenvolvimento sócio-econômico

Fonte: PRAHALAD (2005).

A questão é que, com a degradação dos solos e mares, o aquecimento global, a liquidação da biodiversidade (fauna e flora), a generalizada polarização entre pobres e ricos e a progressiva perda de capacidade do governo – e, portanto, da própria capacidade de governança e governabilidade -, estamos rapidamente nos orientando para impasses estruturais dramáticos, no sentido literal e não fazendo uma associação com o sentido da palavra. Só os desinformados, os mentalmente confusos e os privilegiados pelo processo deixam de perceber o que está em jogo (DOWBOR, 2007).

O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia (MENDES, 2008).

Verifica-se a propedêutica do que foi exposto (entre crescimento e desenvolvimento), em uma notícia vinculada à Rede UOL em maio de 2007, com relação ao aumento da dicotomia social na Ásia, mesmo com a expansão do crescimento econômico.

“O notável crescimento econômico registrado em 2006 na Ásia e na Oceania beneficiou somente uma parte da população e não diminuiu as desigualdades, afirma a Anistia Internacional (AI) em seu relatório anual, apresentado hoje em Londres. […] O relatório ressalta que a região foi fortemente afetada pela globalização e que “taxas invejáveis de crescimento econômico” foram alcançadas, em particular pelos dois gigantes asiáticos, China e Índia, apesar de persistirem grandes disparidades entre a renda, ou nível de vida geral, dos diferentes setores da população.

[…] O desenvolvimento econômico era promissor, mas não melhorou a vida do grande número de pessoas que estavam marginalizados ou sofriam discriminação, como mulheres e minorias étnicas, pois as estruturas de desigualdade subjacentes estavam profundamente enraizadas […] (UOL, 2007).
Todo este sistema pautado no capitalismo explorador nos encaminhou para a real situação em que nos encontramos hoje.  E uma das saídas principais para conciliarmos mudanças nas ações organizacionais, desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e participação social, foi a Responsabilidade Social Corporativa.

Referências:

DOWBOR, Ladislau. Democracia econômica: um passeio pelas teorias. Fortaleza: Banco Nordeste do Brasil, 2007.

MENDES, Marina Ceccato. Desenvolvimento sustentável. Disponível em: <http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/m_a_txt2.html>. Acesso em: 23 abr. 2008.

PRAHALAD, C. K. A Riqueza na base da pirâmide: como erradicar a pobreza com o lucro. Porto Alegre: Bookman, 2005.

TENÓRIO, Fernando Guilherme; NASCIMENTO, Fabiano Christian Pucci do,; Fundação Getulio Vargas. Responsabilidade social empresarial: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro (RJ): 2006 Ed. da FGV.

UOL. Relatório da AI diz que crescimento econômico da Ásia beneficiou poucos. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/05/23/ult1766u21837.jhtm>. Acesso em: 30 mar. 2008.

*Giórgio de Jesus da Paixão é graduando do curso de Administração Pública da UDESC. Atualmente é colaborador do SENAI.