Autores:

Marcelo Nagata, Maria Angélica Vieira, Raquel Rocha da Silva ¹

Higor Correa Gimenes²

RESUMO

A questão do desenvolvimento sustentável tem sido assunto em várias instituições privadas, públicas e, inclusive, em âmbito internacional, devido à importância na criação de projetos que visam à sustentabilidade. Essa nova tendência influencia e impõe mudanças nos panoramas empresarias no que diz respeito ao padrão de concorrência e competitividade. Neste artigo há conceitos, princípios e objetivos que refere-se a importância da propagação do desenvolvimento sustentável e sustentabilidade social corporativa através das quebras de paradigmas das organizações e dos stakeholders por meio do conceito de Triple Botton Line para avaliar e obter resultados satisfatórios em suas dimensões econômica, social e ambiental. Para difundir o entendimento deste assunto, seu desenvolvimento está baseado em dados extraídos de pesquisas exploratórias descritivas, explicativas, bibliografias de livros, artigos e o site da MAPFRE S.A. que disponibilizaram dados confiáveis e seguros para esclarecer este tema.

Palavra-chave: Desenvolvimento sustentável, Sustentabilidade, Responsabilidade social corporativa.

ABSTRACT

The issue of sustainable development has been the subject of several private institutions, public and even internationally, because of the importance in creating projects that aim for sustainability. This new trend requires changes in the influence and enterprise views with respect to the standard of competition and competitiveness. In this article there are concepts, principles and objectives that refers to the importance of the spread of sustainable development and corporate social responsibility through changes in paradigms of organizations and stakeholders through the concept of Triple Bottom Line to assess and obtain satisfactory results in dimensions economic, social and environmental. To spread the understanding of this subject, its development is based on data from exploratory descriptive, explanatory, bibliographies of books, articles and the site of MAPFRE SA, which provided data reliable and safe to clarify this issue.

KEYWORD: Sustainable development, Corporate social responsibility, Sustainability.

¹UNIP – Instituto de Ciências Sociais e Tecnologia. Campus Magalhães Teixeira – Campinas, SP. CST em Gestão de Logística, 4º semestre/2010. Alunos: Marcelo T. Nagata – email hidden; JavaScript is required; Maria Angélica Vieira email hidden; JavaScript is required; Raquel Rocha da Silva – email hidden; JavaScript is required

²UNIP – Instituto de Ciências Sociais e Tecnologia. Campus Magalhães Teixeira – Campinas, SP.

Professor Orientador Higor Correa Gimenes – email hidden; JavaScript is required

INTRODUÇÃO

O crescimento desordenado da população e o mau uso dos recursos naturais causaram vários impactos ambientais, sociais e econômicos ao longo dos anos. A fim de minimizar tais problemas, foram desenvolvidos projetos mundiais como o relatório de Brundtland, ECO-92, Agenda 21, Carta da Terra e MDM – Metas do Desenvolvimento do Milênio e Pacto Global. Estes conceitos orientam as organizações à prática de uma gestão responsável, considerando a relação ética e transparente com todos os públicos – stakeholders: clientes, consumidores, fornecedores, acionistas – que se relacionam com a empresa para o desenvolvimento sustentável do seu negócio e da sociedade, preservando os recursos ambientais e humanos para as gerações futuras proporcionando diversos benefícios para sociedade e organizações. Anteriormente, as intervenções corporativas eram realizadas através de assistencialismo e filantropia. Porém, na atualidade, as corporações investem seus próprios recursos em projetos de interesse público não mais apenas através da prática da filantropia, mas também por meio de ações voluntárias, planejadas e assessoradas, a fim de transformar a precária realidade ambiental, econômica e social para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. A exemplo do estudo de caso da Mapfre Seguradora S.A., é possível afirmar que a responsabilidade social corporativa, definitivamente se tornou uma importante ferramenta para a sustentabilidade das organizações. Assim, as empresas são impulsionadas a adotar novas posturas diante de questões ligadas à ética e à qualidade da relação empresas/sociedade. Estas questões influenciam as tomadas de decisões e tornam-se necessárias algumas mudanças nas dinâmicas de mercado e no padrão de concorrência e competitividade. Mas, está equivocado quem pensa em desenvolvimento sustentável como algo que se limita ao meio ambiente, da mesma forma que responsabilidade social se restringe a ações ou investimentos em projetos sociais. Responsabilidade social corporativa expressa o ato de entender e agir em resposta a demanda da sociedade, onde o valor gerado por uma empresa não se estabeleça somente em lucros, mas que proporcione um impacto positivo para o conjunto dos afetados direta ou indiretamente por suas operações.

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações. (A Carta da Terra, 2004)

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O conceito de desenvolvimento sustentável se originou no Relatório Brundtland – documento intitulado Nosso Futuro Comum, publicado em 1987. Este relatório está baseado no princípio de que o ser humano deve usufruir dos recursos naturais de acordo com a capacidade de renovação dos mesmos, evitando assim, o seu esgotamento. Posteriormente, outro evento que impulsionou as práticas de desenvolvimento sustentável foi a ECO-92, onde após várias análises foram desenvolvidos documentos, nos quais constam a Carta da Terra e a Agenda 21 que expõe a situação atual do planeta e o que a humanidade deve fazer para continuar crescendo, mas de maneira consciente. Portanto, para uma utilização sustentável dos recursos naturais, é imprescindível que todos os cidadãos sejam consumidores responsáveis, atribuindo-se a eles o comprometimento em minimizar o desperdício para poupar os recursos em escala macro ambiental.

Segundo Bezerra e Bursztyn (2000), o desenvolvimento sustentável é um processo de aprendizagem social de longo prazo que por sua vez, é direcionado por políticas públicas orientadas por um plano de desenvolvimento nacional. Assim, a quantidade expressiva de atores sociais e interesses presentes na sociedade coloca-se como um obstáculo às políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.

Cavalcanti (2003) menciona que as discussões atuais sobre o significado do termo desenvolvimento sustentável, mostram que está se aceitando a idéia de colocar um limite para o progresso material e para o consumo, antes visto como ilimitado, criticando a idéia de crescimento constante sem preocupação com o futuro.

O avanço maior foi o reconhecimento do desenvolvimento sustentável como uma possível e aceitável solução para os problemas ambientais e sociais enfrentados pelo mundo. (CAMARGO, 2004).

Desenvolvimento sustentável é a resposta às necessidades humanas nas cidades com o mínimo ou nenhuma transferência dos custos da produção, consumo ou lixo para outras pessoas ou ecossistemas, hoje e no futuro. (SATTERTHWAITE, 2004).

O desenvolvimento sustentável caracteriza-se, portanto, não como um estado fixo de harmonia, mas sim como um processo de mudanças, no qual se compatibiliza a exploração de recursos, o gerenciamento de investimento tecnológico e as mudanças institucionais com o presente e o futuro. (CANEPA, 2007).

Na prática, o desenvolvimento sustentável é uma estratégia eficaz que reúne os anseios e capacidades de governo, setor privado e sociedade para criar uma visão de futuro, trabalhando estratégica e progressivamente seus objetivos. Estas estratégias incidem sobre o que é realmente praticável, pois um planejamento eficaz e abrangente envolve e compromete toda a população. Conforme a figura 1 existe alguns parâmetros fundamentais para se alcançar o desenvolvimento sustentável.

Figura 1: Parâmetros para se alcançar o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Elaborado pelos próprios autores.

O desenvolvimento sustentável deve ser uma conseqüência do desenvolvimento social, econômico e da preservação ambiental e realizado com sustentabilidade. Pois, sustentabilidade em sua essência é a capacidade de ser sustentável, ou seja, a capacidade que um indivíduo tem de se manter de maneira sustentável num determinado ambiente sem degradar esse meio.

Sustentabilidade significa a possibilidade de se obterem continuamente condições iguais ou superiores de vida para um grupo de pessoas e seus sucessores em dado ecossistema (CAVALCANTI, 2003).

Sachs (1993), afirma que a sustentabilidade ambiental refere-se à manutenção da capacidade de sustentação dos ecossistemas. A sustentabilidade econômica está relacionada a uma gestão eficiente dos recursos geral caracterizado pela padronização de fluxos do investimento público ou privado e intervém na avaliação da eficiência por processos macro social. E a sustentabilidade social está relacionada ao desenvolvimento e tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida da população e gerações futuras, imprescindível para a mudança do panorama geral da sociedade.

RESPONSABILIDADE E/OU SUSTENTABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA

A responsabilidade e/ou sustentabilidade social corporativa é o comprometimento voluntário das organizações com o desenvolvimento da sociedade e a preservação do meio ambiente, consciente de que estará contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa. Isso significa que não é assistencialismo, filantropia ou cumprimento das regras pré-estabelecidas. Mas, um modelo de gestão de negócios onde sua atuação está relacionada às dimensões sociais, ambientais e econômicas que, em parceria com boas práticas governamentais incorpora uma visão de negócios voltada às práticas em longo prazo. Assim, se presume que as organizações gerem receitas e se desenvolvam relativamente, mas que também contribuam para que a sociedade se desenvolva consciente de que todos os recursos naturais são finitos e devem ser utilizados de maneira responsável. Esta missão correlaciona ao Tripple Bottom Line, ou seja, as corporações devem administrar seus resultados, com foco nos dados econômicos acrescentando as análises sociais e ambientais compromissadas em inserir as práticas de sustentabilidade e responsabilidade social nas suas atividades diárias. A gestão dos negócios deve expressar o compromisso efetivo de todos os graus hierárquicos das organizações permanentemente e o compromisso de seus colaboradores deve exprimir a qualidade da inserção desta nova realidade na cultura organizacional. Pois essa integração somente causará efeitos positivos se os envolvidos diretos aderirem a esta quebra de paradigma a nível inclusivo. Afinal, a empresa exerce imprescindível papel em toda a comunidade, principalmente no local onde a mesma está inserida e suas ações podem mudar a realidade dessa comunidade, quer sofra ou se beneficie com os impactos desse empreendimento.

Responsabilidade Social Corporativa: Forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. (MAPFRE S.A.)

A responsabilidade social corporativa está relacionada à capacidade da empresa em atender simultaneamente os interesses dos diferentes públicos e agregar valor com os quais ela se inter-relaciona, sendo capaz de incorporá-los ao planejamento de suas atividades. Instituto Ethos (2001)

A responsabilidade social está se transformando num parâmetro, e referencial de excelência, para o mundo dos negócios e para todo o Brasil corporativo. Segundo a Fundação para o Premio Nacional da Qualidade (2001), as organizações socialmente responsáveis devem abordar suas responsabilidades perante a sociedade e o exercício da cidadania, por meio de estágios que vão desde uma fase embrionária até sua fase mais avançada. Tachizawa (2002)

As afirmações citadas acima estimulam uma análise crítica das desigualdades sociais em um cenário de constantes modificações. Essa conscientização incita a responsabilidade social atribuindo às organizações uma postura ética e comprometida com o resgate da cidadania. Portanto, responsabilidade e/ou sustentabilidade social corporativa engloba todas e quaisquer ações responsáveis que devem iniciar dentro das empresas e contam com a participação direta dos colaboradores que contribuem para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

Sustentabilidade Corporativa consiste em assegurar o sucesso do negócio em longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade, um meio ambiente saudável e uma sociedade estável. Instituto Ethos (2001)

A PROBLEMÁTICA NA IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS SUSTENTÁVEIS NAS ORGANIZAÇÕES

O que impede a implantação de projetos sustentáveis nas organizações é a constante necessidade que as empresas têm de se manterem competitivas no mercado em que atuam. Muitas vezes, a implantação de um projeto sustentável gera custos relativamente altos que somente darão retorno em longo prazo. Atualmente, diversas organizações têm desenvolvido projetos sustentáveis na expectativa de minimizar os impactos causados no ambiente através da extração dos recursos naturais, mas a falta de envolvimento e integração da sociedade de um modo geral faz com que estas ações não se concretizem. Isso se dá, devido a resistência das pessoas em aceitar quebras de paradigmas. Isso desestimula as organizações, uma vez que é notável o fato de que a sociedade ainda não tem dado o devido valor a estas iniciativas. Outro fator que dificulta a participação efetiva do Brasil na questão do desenvolvimento sustentável são as “ações de fachada”, ou seja, empresas que dizem possuir programas sustentáveis, mas na realidade, não praticam. Em contrapartida, empresas idóneas buscam formas de conscientizar os colaboradores e grupos de interesse, pois são grandes influenciadoras da sociedade.

As empresas têm de incorporar às suas ações a consciência de que sua verdadeira missão, seu grande objetivo, está ligado a engrandecer a vida das pessoas, aumentar o sentimento alheio de pertencimento e de inclusão a partir de produtos, serviços e ideias. Nesse processo, o lucro é necessário, mas ele não pode comprometer esse grande objetivo empresarial, analisa Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ekos. DOMENEGHETTI (2009).

A sociedade espera que as empresas não só proteja o meio ambiente, como também, leve em consideração a comunidade afetada direta ou indiretamente por suas atividades, produtos e serviços. Trabalhar com o conceito de desenvolvimento sustentável é diferente do “business as usual”, pois o desenvolvimento sustentável demanda das empresas a construção de capacitação dos empregados, dos contratados e da comunidade e a participação em projetos comunitários e ambientais da região onde estão operando, além, das tarefas normais de proteção e conservação ambiental inerente as suas atividades. AMARAL (2004)

VIABILIDADE DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL NAS ORGANIZAÇÕES

Atualmente, o tema sustentabilidade tem sido mencionado no mundo empresarial como tendência de mercado e esse novo cenário contribui para um processo de grandes modificações na cultura das organizações. Diversas empresas já buscam de alguma forma contribuir para o desenvolvimento sustentável, porém, alguns executivos encontram dificuldades para introduzir estas mudanças nas rotinas corporativas. É necessário identificar um fator motivacional que induza seus colaboradores a participarem mais ativamente deste processo. Assim, para obter retorno econômico de longo prazo, equilíbrio social e ambiental, as empresas devem focar seus planejamentos estratégicos em ações que viabilizem o desenvolvimento sustentável, tanto para a organização quanto para os grupos de interesse. Pois, somente partindo deste princípio elas se manterão ativamente competitivas.

As empresas modernas não devem pensar somente em cumprir as leis ambientais de um país, estado ou município. Elas devem ser na medida do possível, proativas e planejar suas atividades de uma maneira sustentável. De fato, as empresas que se comportam de uma maneira mais sustentável, pensando no seu futuro, têm um desempenho melhor nos seus negócios. AMARAL (2004)

Quanto mais informados se tornam os cidadãos, mais cuidarão para que a proteção ambiental e seus próprios interesses particulares estejam em completa harmonia. Cuidarão também de insistir com as empresas para que elas demonstrem sua capacidade de existir em harmonia com o meio ambiente. Cidadão informado significa cidadania despertada, e toda instituição pública ou privada acabará por se curvar à sua influência. KINLAW (1997)

Os stakeholders sugerem alguns tópicos que foram abordados pelo instituto Ethos, com foco no comprometimento das organizações que pretendem se tornar socialmente responsáveis. A tabela 1 abaixo demonstra estes tópicos:

Tabela 1 – Temas tratados pelo Instituto Ethos em relação à responsabilidade social corporativa.

Fonte: Instituto Ethos. Versão 2007.

GANHOS E PERDAS EMPRESARIAIS BASEADAS NA RESPONSABILIDADE SOCIAL

Uma gestão socialmente responsável pode trazer inúmeros benefícios para as empresas. Pesquisas apontam a responsabilidade social como um atrativo para clientes e investidores e atraem pessoas talentosas para a organização. A sociedade tem adotado uma postura que privilegia as empresas que investem em ações sociais. Segundo Guedes (2000), o retorno social empresarial se realiza através da imagem e vendas; retorno publicitário; acionistas e investidores; tributação; produtividade; pessoas e ganhos sociais.

Quando uma empresa atua com responsabilidade social aumenta seu relacionamento com diversos públicos… …aumenta a exposição positiva em mídia espontânea onde seus produtos, serviços e marca ganha maior visibilidade e maior aceitação. (Guedes, 2000).

Por causa da concorrência acirrada o reforço da imagem e da marca tem sido cada vez mais valorizado pelas empresas que se expõe na mídia através de patrocínio em eventos sociais, educacionais e culturais. Assim, gera uma imagem positiva à marca que estará vinculada a ação socialmente responsável. A exposição em mídia espontânea (mídia não paga) funciona como uma propaganda para as empresas que, em virtude de suas ações, passam a ter maior destaque e credibilidade perante a sociedade para fidelizar sua marca e atrair novos clientes e investidores, inclusive estrangeiros – retorno este que pode ser medido e avaliado pela empresa em longo prazo.

Estatísticas mostram que empresas socialmente responsável são mais lucrativas, crescem mais e são mais duradouras. A página do Down Jones na internet traz um levantamento que compara a lucratividade dessas empresas com a média da Down Jones. A rentabilidade das socialmente responsáveis é o dobro da média das empresas da Bolsa de Nova York. (GRAJEW, 2000).

No Brasil esta tendência também já é perceptível e as empresas que realizam ações sociais são beneficiadas por leis municipais, estaduais e/ou federais que promovem incentivos fiscais entre outros. Essas ações melhoram o envolvimento do colaborador com a empresa, aumenta a motivação e a produtividade, contribui para o estudo de técnicas e habilidades para todos os colaboradores. Porém, as empresas estão sendo mais cobradas pela sociedade a assumir uma postura ética e responsável em suas relações com os stakeholders. Os consumidores atualmente demonstram que estão mais propensos a consumir de empresas socialmente responsáveis e uma empresa com uma boa imagem perante a sociedade e com marca reforçada torna-se mais conhecida, vende mais, aumenta seu valor patrimonial e sua competitividade no mercado. Embora as empresas ainda estejam se adaptando a esta nova realidade já é notável um crescimento significativo, elas já estão conseguindo atender algumas expectativas da sociedade. Mas, ainda há muito a ser melhorado. Pois, o consumidor está na era da busca pela qualidade e responsabilidade social.

ESTUDO DE CASO – A MAPFRE S.A. NO MUNDO E NO BRASIL

A MAPFRE S.A. é líder do mercado segurador da Espanha, país-sede da Organização, o Grupo MAPFRE está presente em todos os principais países da América Latina, Estados Unidos, Portugal, Turquia e Filipinas com participação mundial expressiva nos segmentos de seguros, resseguros, financeiros e de serviços. No Brasil, a atuação da MAFPRE Seguros teve início em 1992, com a aquisição da Vera Cruz Seguradora S.A.. Atualmente é um dos mais importantes do mercado segurador brasileiro. Tem por objetivo um maior crescimento de forma sustentável, produzir mais com os mesmos recursos. Em busca de maior eficiência, desenvolvem projetos sustentáveis e inovadores que permitem reduzir os gastos, manterem sempre a qualidade dos serviços e do atendimento oferecidos aos clientes, suas ações tem por objetivo fazer que seja cada vez mais reconhecida como uma seguradora diferente. Ciente da importância de manter um relacionamento transparente e integrado com os stakeholders faz parte de sua postura ética divulgar seus resultados de acordo com as diretrizes internacionais da GRI (Diretrizes qualitativas e quantitativas para mensuração, avaliação e comunicação de práticas da organização nos âmbitos econômico, social e ambiental) que mantém a série histórica de indicadores de responsabilidade social em linha com o Instituto Ethos e o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), prova de que as iniciativas socioambientais estão cada vez mais integradas à estratégia e à operação dos negócios, em especial no Brasil, reforçando o comprometimento com o Pacto Global. O Relatório de Sustentabilidade divulgado anualmente reflete os avanços alcançados nos âmbitos econômico, social e ambiental. Para a MAPFRE, a Responsabilidade Social Corporativa é um compromisso voluntário estratégico que significa procurar a obtenção de seus objetivos empresariais cumprindo rigorosamente as suas obrigações contratuais e legais em todos os países onde o Grupo opera, aplicando critérios de equidade nas relações com seus grupos de interesse e contribuindo para a satisfação das necessidades presentes e futuras da sociedade. Assume o respeito aos direitos reconhecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos dez princípios do Pacto Global. Em atuação socialmente responsável sustenta-se nos princípios institucionais e empresariais estabelecidos no seu Código de Boa Governança e no Princípio de Atuação Ética e Socialmente Responsável. Conforme figura 1.

Figura 1: Modelo de Responsabilidade Social

Fonte: MAPFRE S.A.

Por meio de um sólido conjunto de valores suas ações são orientadas, em especial, na atuação socioambiental o avanço tem sido significativamente na gestão da sustentabilidade, que visa o desenvolvimento de iniciativas que tragam valor efetivo para os principais stakeholders – grupos de interesse corporativo definidos. Como demonstra figura 2.

Figura 2: Mapa de Stakeholders

Fonte: MAPFRE S.A

Algumas das principais iniciativas que integram esse modelo são: Levantamento das Demandas e Expectativas dos Principais Stakeholders, Avaliação das Tendências de Mercado e das Principais Práticas de Responsabilidades Sociais Corporativas, Engajamento de Multiplicadores Internos, Avaliação e Gestão de Resultados. Conforme figura 3.

Figura 3: Matriz de Materialidade

Fonte: MAPFRE S.A.

Baseando-se nas diretrizes internacionais da GRI que mantém a histórica de indicadores de responsabilidade social em linha com o Instituto Ethos, Ibase e Pacto Global, a MAPFRE realiza projetos que abrangem as dimensões econômicas, ambientais e sociais, visando à melhoria da qualidade de todos os envolvidos direta e indiretamente. Os projetos de dimensão econômica, ambiental e social são:

ECONÔMICA

A estratégia nunca foi tão importante quanto no atual ambiente de negócios. A gestão estratégica é um processo contínuo e interativo que busca manter uma organização como um conjunto integrado ao seu ambiente por meio da determinação e disseminação de sua missão, objetivos e estratégias rumo à visão de futuro. Na busca de seus objetivos, a MAPFRE direciona sua estratégia para o trinômio: Clientes (marca, serviços e distribuição), Pessoas (alto desempenho, reconhecimento e ambiente) e Processos (administração enxuta e Seis Sigmas, tecnologia e controle interno).

AMBIENTAL

Para estimular a adoção de práticas socioambientalmente responsáveis entre seus parceiros de negócio e, dessa forma, reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade, a MAPFRE desenvolveu o projeto Sustentabilidade na Cadeia de Valor. Com essa iniciativa, a Empresa quer identificar e disseminar as boas práticas socioambientais nos serviço. Para isso, são realizados estudos e serviços voltados para minimizar os riscos socioambientais como: Programa ECO MAPFRE, Programa CRIANÇA, Programa ECOBLOGS, Compras ambientalmente responsável, uso consciente de recursos, descarte ambientalmente adequado, formação e educação ambiental

SOCIAL – MAPFRE E SEUS COLABORADORES

Os valores de negócios no Código de Boa Governança da MAPFRE são as referências que devem nortear a conduta de todos os colaboradores. Devido a isso foi aprovado um Código de Ética e Bons Costumes, que visa que o comportamento de todas as pessoas que fazem parte do Grupo MAPFRE reflita os valores corporativos e princípios de atuação do Grupo. Para isso, estabelece orientações básicas de conduta baseadas nos seguintes princípios: Respeito mútuo entre todas as pessoas, compromisso das pessoas com seu trabalho e com a empresa, vontade de realizar o trabalho da melhor forma possível, solidariedade e cooperação com seus pares e com a sociedade, integridade, cumprimento à lei. A MAPFRE reforçou seu compromisso com o desenvolvimento do ambiente de trabalho, com foco no tripé: clima organizacional, reconhecimento, pessoal e profissional, e ambiente de alto desempenho. Realizando vários benefícios para incentivo, reconhecimento de trabalho e qualidade de vida aos seus colaboradores. Os quais se destacam: compromisso com os colaboradores, desenvolvimento e formação cidadania, remuneração e benefícios, primeiro emprego, integração, comunicação e qualidade de vida, diversidade e inclusão, MAPFRE e seus clientes, atendimento às necessidades dos clientes, aproximação, comunicação e fidelização de clientes, MAPFRE e seus corretores e parceiros de negócio, desenvolvimento dos parceiros de negócios e corretores, relacionamento, fomento de sustentabilidade na cadeia de valor, minimização de impactos ambientais na cadeia de valor.

SOCIAL – MAPFRE NA SOCIEDADE

Ciente da importância de seu papel como agente transformador da sociedade, a MAPFRE desenvolve ações relacionadas ao negócio, com foco em responsabilidade social para a melhoria e qualidade de vida da sociedade. São realizados diversos programas, nos quais se destacam: PIP (programa de inserção profissional), fomento a políticas públicas e parcerias com entidades, educação e cultura – programa cine-educação na cinemateca brasileira, mobilização para o envelhecimento ativo e saudável, atendimento à população, compromisso social parcerias via FUMCAD, projeto de humanização, programa de treinamento e capacitação, educação financeira, segurança viária.

FUNDAÇÃO MAPFRE

A FUNDACIÓN MAPFRE uma instituição sem fins lucrativos, atua nos países estrangeiros e nos Brasil, onde, trabalha para contribuir com a formação do cidadão e disseminar valores e cultura para a comunidade MAPFRE e para a sociedade como um todo, com a realização de iniciativas inovadoras, tais como: comunidades FUNDACIÓN MAPFRE, prêmio experiências educacionais inclusivas, encontro técnico, programa educação viária é vital, formação em empresas, cultura, prevenção, saúde e meio ambiente, educação ambiental nas escolas, encontro ibero-americano de meio ambiente, ciências do seguro ajuda humanitária, com maior cuidado, bolsas de pesquisa saúde e prevenção e meio ambiente e pesquisa científica terceira idade, programa na pista certa, campanha de conscientização na semana do trânsito.

A Responsabilidade Social Corporativa nasce dentro da empresa, de sua cultura e de seus princípios, e se desenvolve – com o apoio da alta gerência – de baixo para cima e transversalmente. Cada instituição e cada empresa, independentemente de sua dimensão, devem ser capazes de aprovar os seus princípios e objetivos de Responsabilidade Social e de desenhar, de acordo com suas características particulares, seu mapa de stakeholders e seu próprio modelo de Responsabilidade Social. (Juan José Almagro, Diretor-Geral de Comunicação e Responsabilidade Social da MAPFRE Espanha).

Principais Parceiros nas Ações de Responsabilidade Social Corporativa do Grupo MAPFRE

Parcerias com Governos – Ministério da Cultura, Cinemateca Brasileira / Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo, Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – Oficina Cultural da Terceira Idade, Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho do Estado de São Paulo, Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Prefeitura Municipal de Bragança Paulista – Secretaria de Educação Prefeitura Municipal de Diadema, Guarulhos, São Paulo, Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Prefeitura Municipal de São Paulo – Secretaria Municipal de Participação e Parceria.

Parcerias com Instituições – Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo, Fundação Abrinq, Fundação para o Desenvolvimento da Educação, Instituto Ethos, Lar Escola São Francisco, PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) – Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento, ONU – Organização das Nações Unida.

Principais Parceiros da FUNDACIÓN MAPFRE – CESVI – Brasil, CET – Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, Alumar – Consórcio de Alumínio do Maranhão, Escola Nacional de Seguros, FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Fenaprevi – Federação Nacional de Previdência Privada e Vida, ITSEMAP do Brasil – Serviços Tecnológicos MAPFRE, Prefeitura de São Luís do Maranhão, Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e Maranhão, Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, Secretaria Municipal de Educação de São Luís do Maranhão, Secretaria Municipal de Transportes de Jundiaí (SP) e de São José dos Campos (SP), Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, USP – Universidade de São Paulo, Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.

CONCLUSÃO

A partir deste estudo, pode-se afirmar que periodicamente, são realizados encontros entre organizações públicas e privadas em âmbito internacional onde se discutem os avanços do desenvolvimento sustentável. Como já dizia o grande filósofo Aristóteles, em que, todo conhecimento e todo trabalho visa a algum bem, quais afirmamos ser os objetivos da ciência política e qual é o mais alto de todos os bens que se podem alcançar pela ação. Ação essa é a palavra chave para se conquistar um meio ambiente equilibrado, simples ações, como exemplo, cuidar do seu próprio lixo, uso consciente da água, não poluir, não fazer queimadas, consumir o que somente precisa, ter mudanças de atitudes na maneira de consumir, utilizar e reutilizar os recursos naturais ou produtos, ter atitudes positivas em ajudar o próximo, a comunidade, a cidade, enfim, viver de forma nova e diferente em tudo que fazemos. É necessário detectar os problemas e projetar soluções através de ações, é preciso gastar no presente pensando no futuro, pensar no amanhã é responsabilidade e compromisso de todos. Somente com ações efetivas ocorrerá mudanças e isso se tornará hábitos corretos – hábitos esses que poderá influenciar o mundo a conscientização de valores e educação para que haja uma transformação contínua, é essencial criar um legado para as futuras gerações. Desta maneira, é imprescindível que as corporações insiram em suas atividades básicas as práticas elaboradas em documentos como a Carta da Terra, Agenda 21, Metas do Desenvolvimento do Milênio, Carta Empresarial, Instituto Ethos, GRI e Pacto Global. Assim como o grupo MAPFRE S.A.- o estudo de caso desse artigo mostrou que é possível sim, ser sustentável. Seguindo esse exemplo as empresas devem ter responsabilidade social, econômica e ambiental, e a partir de seu público interno, devem estar constantemente comprometidas na busca ininterrupta de soluções sustentavelmente corretas. Pois, somente com esta visão será possível encontrar formas de conscientizar os cidadãos para que os mesmos entendam que os recursos naturais são finitos e devem ser utilizados de maneira consciente. Cada ser humano, deve fazer a sua parte com conciência e com simples ações corretas dia-a-dia e isso é urgente – nosso planeta grita. Pode até ser utopia, mas fazendo junção de pessoas, governos, orgãos não governamentais e organizações que são poderes maiores – construiremos um mundo sustentável.

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