Empresas de Jaraguá do Sul investem em projetos sociais

Por Pedro Peduzzi da Agência Brasil

Os empresários de Jaraguá do Sul (SC) não costumam esperar pela boa vontade do Estado para fazer o que consideram ser necessário para melhorar a qualidade de vida do município e para o bom funcionamento de seus negócios. Prova disso é o apoio financeiro dado por empresas locais a hospitais, creches, parques e espaços culturais. Boa parte delas faz isso por meio da Lei Rouanet e o do Fundo Estadual de Cultura (Funcultural), que concedem incentivos fiscais ao empresariado.

“Temos clareza das limitações do Poder Públic. Por isso, acabamos nos antecipando e, muitas vezes, tomamos a iniciativa de fazer o que caberia ao Estado”, disse o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Guido Jackson Bretzke. “Mas nem por isso deixamos de estar sempre cobrando que o Poder Público faça o que lhe cabe.”

A responsabilidade social das empresas jaraguenses transformou os dois principais centros hospitalares do município em referência e aumentou em oito mil o número de vagas em creches. “Como não há em Jaraguá do Sul hospitais públicos, coube às empresas contribuírem para que as duas unidades filantrópicas de saúde tivessem condições de atender a população local”, comentou Bretzke, referindo-se aos hospitais São José – hoje um centro de excelência em tratamento contra o câncer – e ao Hospital Jaraguá – referência em doenças cardíacas e responsável pelo atendimento de socorro rápido na cidade.

“Para doarmos os recursos pedidos pelas freiras responsáveis pelo São José, apresentamos uma condição: a necessidade de que fosse dado um choque de gestão na entidade, que passou a ter empresários em seu conselho. Dessa forma, conseguimos apoio não só das três esferas de governo [municipal, estadual e federal], mas também de pessoas físicas e jurídicas da cidade”, destacou o presidente da Acijs.

Entre as pessoas que ajudaram o Hospital São José, Bretzke destaca Gerd Baumer, um dos acionistas da multinacional WEG, a maior empresa da cidade e uma das grandes multinacionais brasileiras, fabricante de motores elétricos, geradores e transformadores de energia e tintas.

“Se hoje o hospital tem os melhores equipamentos de radioterapia do mundo, iguais aos do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, muito se deve ao fato de o Gerd não desejar que outros cidadãos jaguarenses passassem pelo que ele e a sua mulher passaram”, disse Bretzke. Gerd, lembrou o presidente Acijs, tinha de estar sempre viajando com a esposa para que ela realizasse um tratamento adequado contra câncer.

De tempos em tempos a Acijs reúne um conselho para discutir “as necessidades imediatas e não-imediatas” da cidade. “Temos quatro diretrizes: gerar benefícios à comunidade e melhorias na infra-estrutura da região; melhorar a competitividade das organizações; fortalecer e defender os interesses e necessidades da classe empresarial; e buscar a excelência na gestão da nossa entidade”, revelou Bretzke.

Entre as metas da Acijs para 2009 destacam-se a duplicação da BR-280, a melhoria do anel viário estadual e intermunicipal, a implantação e melhoria dos centros de educação infantil e a expansão e distribuição do fornecimento de energia elétrica na região.

“Mas também acompanhamos de perto os projetos que já estão sendo tocados, como as reformas e melhorias das obras nos hospitais e a ressocialização dos presidiários”, completou Bretzke.

Há alguns anos, os jovens da cidade reclamavam da falta de acesso à cultura. Coube então à Sociedade Cultura Artística (Scar), entidade criada há 52 anos pelos músicos da Orquestra Sinfônica de Jaraguá do Sul, retomar um antigo projeto, com a ajuda da Acijs: o Centro Cultural de Jaraguá do Sul.

Segundo o presidente da Scar, Udo Wagner, as empresas e a população de Jaraguá do Sul contribuíram com R$ 15 milhões  para a construção do Centro Cultural, que tem teatros e uma área de 9.700 metros quadrados. “Os proprietários das empresas são jaraguenses e fazem esse tipo de investimento pensando em seus descendentes”, afirma Wagner.

“Esse espaço vai além da difusão cultural, servindo também para a formação de alunos das mais diversas áreas artísticas”, orgulha-se Wagner. Em 2008, foram realizados 293 eventos para um público de 93 mil pessoas. “Já recebemos duas vezes o Balé Real da Dinamarca e o Ballet Preljocaj, da França”, disse.

Ao todo, 450 alunos participaram dos cursos de teatro, música, artes plásticas, balé, dança do ventre e de salão e de instrumentos musicais, com destaque especial para o curso de harpa.

“Trata-se de um instrumento muito caro, que custa cerca de US$ 20 mil cada. Além das cinco harpas que já temos, aguardamos a chegada de outras doze doadas pela Malwee, que, inclusive, foi quem nos doou um piano de calda inteira, avaliado em R$ 250 mil”, informa Wagner.

Segundo ele, os artistas visitantes consideram o teatro principal, com capacidade para mais de mil assentos, como um dos melhores do país, tanto pela sonorização como pela excelente acústica. “Pretendemos aproveitar essa característica para alugar o espaço para gravações e, juntamente com outras iniciativas, viabilizar a auto-sustentabilidade do Centro”, afirma o presidente da Scar, entidade responsável pela administração do Centro Cultural.

É no Centro Cultural que é realizado o Festival de Música de Santa Catarina (Femusc). “O Femusc será para Santa Catarina o que representa o Festival de Cinema de Gramado para o Rio Grande do Sul”, prevê Wagner.

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