Especialistas afirmam que Painel do Clima é confiável
Leticia Freire, para o Mercado Ético*
“Quem é cético em relação ao aquecimento global continuará cético e quem acredita nas mudanças climáticas vai aceitar o argumento de que isso é uma parte pequena do quadro, metade de uma página de um total de 3 mil”. Essa é a opinião de Graham Cogley, professor de Geografia na Universidade Trent, no Canadá, e um dos pesquisadores que trouxeram o erro à tona. Para ele, o impacto negativo para o IPCC será pequeno.
“Faz parte do método científico revisar dados”, lembra o físico Paulo Artaxo, da USP, e um dos autores do quarto relatório. Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que participou da elaboração do quarto relatório do painel, divulgado em 2007 tem a mesma opinião. Para ele, uma sentença que não seguiu estritamente os procedimentos do IPCC, não anula os resultados.
“O que ocorreu não chega a abalar a credibilidade do IPCC, mas pode desgastá-lo um pouco. Isso obriga o painel a ser mais rigoroso nos seus procedimentos”, diz Fabio Feldmann, consultor na área ambiental e secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas.
Medidas
As negociações na área climática, em que o objetivo principal é que os países adotem metas de corte de emissão de gases de efeito estufa, não deve ser afetada pelo caso do erro no relatório do IPCC.
Para Carlos Souza Júnior, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), tratou-se de um problema “de ordem técnica”, o que não altera o rumo das negociações. Isso porque “há uma grande segurança” na parte em que se afirma que um aumento de mais de 2°C será desastroso para o planeta.
Do último relatório da entidade, que avalia os impactos da mudança climática no mundo, participaram 1,3 mil cientistas de diferentes nacionalidades. Todos chegaram às mesma conclusões sobre causas e efeitos do aquecimento global. Leia abaixo as principais conclusões do IPCC divulgadas no último relatório (2007):
* O aumento da temperatura média do planeta registrado desde meados do século XX é “muito provavelmente” uma consequência do aumento da emissão de gases de efeito estufa pelo homem. Há 90% de certeza de que o homem é a causa deste transtorno, frente aos 61% de probabilidade do relatório anterior, divulgado em 2001.
* O aquecimento geral observado na atmosfera e nos oceanos, assim como a diminuição da massa de gelo, mostra que é “extremamente improvável” que estas mudanças nos últimos 50 anos sejam resultado de causas naturais.
* As emissões “passadas e futuras de dióxido de carbono seguirão contribuindo para o aquecimento e a elevação do nível do mar durante mais de um milênio”, devido à duração de vida desses gases na atmosfera.
* Onze dos últimos 12 anos ocupam os primeiros lugares na lista de anos mais quentes desde 1850.
* O aquecimento se acelerou nos últimos anos: 0,74 grau suplementar nos últimos cem anos (1906-2005), frente ao 0,6 grau do período 1901-2000, segundo o relatório publicado em 2001.
* No fim do século XXI, as temperaturas aumentarão entre 1,8 e 4 graus com relação a 1980-1999, ainda que estas sejam as previsões mais otimistas numa escala que vai até 6,4 graus.
* O aquecimento tende a reduzir a capacidade de absorção do dióxido de carbono (CO2) pela terra e pelos oceanos.
* Os estudos realizados desde 1961 mostram que a temperatura média do oceano aumentou até uma profundidade de 3.000 metros e que o oceano absorve mais de 80% do calor acrescentado ao sistema climático.
* O aquecimento da água do mar provoca sua dilatação, por isso, o nível do oceano poderá subir de 18 a 59 centímetros até o fim do século, com relação aos níveis de 1980-1999.
* Um aquecimento médio de 1,9 ºC a 4,6 ºC com relação aos valores da era pré-industrial acarretaria o desaparecimento completo do gelo na Groelândia, o que implica uma elevação de sete metros no nível do mar.
* O aquecimento mais importante será registrado nas latitudes elevadas e o menos importante no sul do Oceano Índico e em algumas partes do Atlântico norte.
* Além disso, se prevê uma diminuição do gelo no Ártico e no Antártico. Em algumas das previsões mais negativas, estima-se que o gelo desaparecerá praticamente do Ártico no fim do verão, na segunda metade do século XXI.
* É “muito provável” que as altas temperaturas, as ondas de calor e as fortes precipitações sejam cada dia mais frequentes.
* É “muito possível” que as tormentas tropicais futuras, os tufões e os furacões sejam mais intensos, com ventos e chuvas mais fortes.
* As precipitações aumentarão “muito provavelmente” nas latitudes elevadas, mas diminuirão nas regiões subtropicais.
* A temperatura continuará aumentando na região Atlântica, devido ao impacto mais forte do efeito estufa.
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