Riomar Trindade
Repórter da Agência Brasil

Estudo divulgado recentemente pela FGV Projetos, unidade de ensino e pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca os avanços socioeconômicos da Região Nordeste e apresenta os focos de políticas públicas que precisam de revisão. O aumento da renda está entre os fatores positivos, porém o desempenho na área social oscila conforme as prioridades políticas. Em 2007, o Sergipe e o Rio Grande do Norte deram um salto em termos de desenvolvimento.

O trabalho, que compreende o período de 2001 a 2007, concluiu que todos os estados do Nordeste apresentaram uma evolução significativa de renda, em função do crescimento agregado do país, dos investimentos privados e da presença forte do programa Bolsa Família.

Entretanto, na maioria dos estados, os indicadores de saneamento básico, educação, pobreza e desigualdade, e moradia mostram que o desenvolvimento não foi linear, ou seja, não beneficiou todos da mesma forma. Com o título Subsídios ao Planejamento do Nordeste Brasileiro, o estudo foi coordenado pelo economista Fernando Blumenschein.

Para medir adequadamente e de forma abrangente os avanços na economia foi aplicado o Indicador de Desenvolvimento Socioeconômico dos Estados (IDSE), recentemente desenvolvido pela FGV Projetos.

O economista separou as políticas públicas (saneamento básico, educação, pobreza e desigualdade, renda e posse de eletrodomésticos, moradia) em três grupos: o de pior performance, em que são relacionados aspectos do desenvolvimento socioeconômico que ficaram estagnados ou cresceram mais devagar do que os demais; o de melhor performance, que se destaca pelos resultados consistentemente positivos; e os focos de política que precisam de revisão, cuja trajetória de avanço não foi inteiramente consistente

O estado nordestino com maior índice de desenvolvimento em 2007 foi Sergipe, com IDSE igual a 48, seguido do Rio Grande do Norte, com 46,8. As duas unidades federativas integram o grupo de médio desenvolvimento.

Quatro estados evoluíram do grupo de baixíssimo desenvolvimento para o de baixo desenvolvimento, em 2007: Pernambuco (38,65), Paraíba (37), Bahia (36,8) e Ceará (31,6). “Alagoas [21,6], o Maranhão [15,8] e o Piauí [11,4] registraram melhorias, mas permaneceram no patamar de IDSE baixíssimo”, observa o coordenador do estudo.

Para ele, a velocidade com que as políticas públicas vêm sendo implementadas, é tão ou mais relevante do que o Indicador de Desenvolvimento Socioeconômico dos Estados propriamente dito. “A performance permite fazer uma leitura das áreas que mais receberam atenção ou ainda que se mostraram mais eficientes no decorrer do tempo, levando às melhorias das condições socioeconômicas”, afirma Blumenschein.

Na análise sobre o período de 2001 a 2007, a Bahia (89,33), o Maranhão (81,33) e o Ceará (78,29) aparecem como os estados com melhor desempenho no Nordeste e estão entre os primeiros colocados em termos de performance no Brasil. Os demais estados da região também apresentaram desempenho positivo, acima de 50: Piauí (64,07), Paraíba (62,82), Pernambuco (60,17), Sergipe (59,35), Alagoas (57,76) e Rio Grande do Norte 51,08).

“O IDSE é um índice inovador”, resume Blumenschein. Segundo o economista, ele se diferencia do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em vários aspectos, sobretudo, por ser mais abrangente, uma vez que é composto por mais de 30 variáveis, que permitem avaliar um conjunto mais amplo de políticas públicas.

O coordenador destaca que o principal objetivo do IDSE é diagnosticar políticas públicas, de forma sistemática e transparente, que possibilitem acompanhar com frequência a sua aplicação. “Política pública é algo mensurável, que dá para medir”, diz o economista.