EUA avançam na questão ambiental, mas não o suficiente
Henrique Andrade Camargo, do Mercado Ético
A maior parte das emissões dos gases de efeito estufa está concentrada nos Estados Unidos. Mesmo assim, a política ambiental daquele país nunca considerou a possibilidade de reduzir a poluição. Tanto, que o Protocolo de Kyoto, documento criado em 1997 com metas de redução de gases poluentes entre 2005 e 2012, não contou com a participação dos EUA. De acordo com o então presidente, George W. Bush, a sua implementação prejudicaria a economia americana.
Agora, com Barack Obama, o país dá sinais de comprometimento com uma economia de baixo carbono. Obama comprometeu-se em aumentar a produção de energia renovável no país como parte de sua estratégia de combater a crise.
Mais um passo foi dado nessa direção na sexta-feira (26/6), quando os deputados norte-americanos aprovaram a lei de mudança climática. O AELS (Ato de Energia Limpa e Segurança) prevê, entre outras coisas, o aumento do fornecimento de energia elétrica originada por fontes renováveis, estabelece investimentos de centenas de bilhões de dólares em novas tecnologias limpas e pesquisas científicas, cria padrões de economia de energia e tem como meta a redução das emissões de carbono em 17% até 2020 e 83% até 2050.
Para Jonathan Lash, presidente da organização ambiental World Resourses Institute, a aprovação da AELS pela Câmara foi a o marco mais importante da legislação ambiental dos EUA. “Se essa medida se tornar lei (ainda falta a aprovação do Senado) vai mudar a cara das fábricas, estações de energia, prédio e paisagem do país”, diz. “Os EUA nunca tiveram uma política energética coerente e o AELS pode trazer isso e levar a maior economia do mundo para um caminho de baixas emissões de carbono”, completa.
Ele acredita que o projeto de lei é um claro sinal de que o país está levando a sério as negociações de um novo acordo global em Copenhague, em dezembro, quando deve ser criado um documento para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012.
“Como muitos, gostaria de ver cortes mais significativos. Mas o mais importante é começar a mudar a trajetória das emissões de gases poluentes aqui nos Estados Unidos”, comenta.
A aparente satisfação de Lash não corresponde à decepção de outros grupos ambientalistas, que condenam concessões feitas para poluidores. O vice-presidente de campanhas do Greenpeace, Carroll Muffett, diz que a aprovação do projeto pela Câmara é uma vitória dos lobistas das indústrias de carvão, petróleo, agricultura, aço e cimento. “Mas também é uma tremenda derrota para o povo americano e para o mundo em nossa luta comum para evitar uma catástrofe climática”, ataca.
Segundo ele, para evitar os piores efeitos do aquecimento global, é preciso reduzir, até 2020, as emissões entre 25% e 40% abaixo aos níveis registrados em 1990. Além disso, as grandes compensações previstas significam que podemos continuar no atual nível de emissões durante anos, o que pode trazer uma nova geração de usinas nucleares e termelétricas a carvão”, diz.
O próprio Obama condenou a tarifa verde, que será aplicada sobre os produtos importados de países que não adotarem limites de emissão de poluentes semelhantes aos dos EUA. Na prática, a medida é mais um imposto, que teria o efeito de uma norma protecionista em benefício da indústria do país.
“Acho importante mantermos a competitividade diante de outros países. Mas acredito que existam outras maneiras melhores de fazer isso, em vez de adotar uma tarifa”, condena Obama.
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