Fórum Social Mundial começa com reflexão sobre seus objetivos

Fonte: Adital

Dez anos depois: Desafios e propostas para um outro mundo possível

“Dez anos depois: Desafios e propostas para um outro mundo possível”. Esse foi o tema do seminário que abriu na segunda-feira, 25, as atividades do Fórum Social Mundial 10 anos, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O momento serviu de reflexão sobre os verdadeiros ganhos e percalços da iniciativa que engloba uma diversidade de movimentos sociais de todo o mundo. Representantes de organizações e entidades que formaram a mesa reconheceram vários falhas do Fórum, mas também foram unânimes em afirmar que o processo continua sendo de construção e que já rendeu muitos frutos.

Francisco Whitaker, um dos idealizadores do projeto inicial do FSM, lembrou momentos em que o movimento foi questionado em seus objetivos, além de outros em que o evento parecia ter enfraquecido, tomando por base a edição de Nairobi (África, em 2007), na qual a participação de movimentos não foi tão expressiva como a esperada. Na sequência, veio a edição de Belém (Pará, no Brasil, em 2009), onde o número de participantes voltou a ser significativo.

No entanto, para ele, dentro do projeto altermundialista, em que os movimentos sociais são os principais protagonistas, o FSM continua cumprindo seu papel aglutinador e de articulação. “O FSM, como projeto altermundialista, continua pautado na solidariedade e não no capital”, afirmou.

Mas apontou algumas “falhas”. “Nós ainda estamos longe de expandir praças ou espaços para todo o mundo e enraizá-las. Tem partes do mundo em que o fórum não chega e essas partes são soterradas pelo modelo neoliberal. Também aproveitamos pouco da potencialidade desse processo”, disse.

O presidente emérito do Instituto Ethos de Empresas de Responsabilidade Social, Oded Grajew, também um dos primeiros articuladores do Fórum, citou Gandhi: “o importante é o caminho”. O elemento democrático do evento foi um dos destaques. “O FSM, ao contrário de outras instâncias, não obriga ninguém a deixar de acreditar em nada. Esse processo vem mudando culturas que antes eram colocadas acima do interesse coletivo”, avaliou.

Para falar de coletividade, João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reforçou que o próprio Fórum já nasceu de forma coletiva. Fez referência a outras iniciativas que se aproximaram do que hoje é o Fórum, mas que não tiveram sucesso, como eventos em Seatle (EUA), Chiapas (México) e Cochabamba (Bolívia). “O FSM conseguiu culminar essas necessidades. O Fórum é um espaço dos movimentos, uma feira de debates. Sua natureza é social e não partidária. Nós acertamos quando conseguimos derrubar o neoliberalismo como ideologia, como proposta de saída para os povos”, explicou.

Segundo o coordenador do MST, outros entraves se colocam como desafios nesse processo que já leva uma década. Expôs alguns: “Não conseguimos acumular um programa mais propositivo. Falhamos em se construir num espaço que possibilitasse promover ações de nível internacional. E se é verdade que nós não conseguimos mostrar que o neoliberalismo não era o caminho, não aglutinamos nenhuma forma de proposta antiimperialista”.

O seminário contou, ainda, com representantes do Uruguai, Itália, Índia, entre outros. O Fórum Social Mundial 10 anos, em Porto Alegre, abre uma série de atividades que acontecerão em todo o mundo em 2010.

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