O aumento crescente da complexidade dos negócios, advindo do processo de globalização e da velocidade das inovações tecnológicas e da informação, impõe ao empresariado uma nova maneira de realizar suas transações. (ASHLEY, 2002, p. 3).

O entendimento da relação complexa que existe entre as empresas e a sociedade, incluindo comunidades, empregados, governos, e até outras empresas, concerne ao estudo da responsabilidade social de empresas. (OLIVEIRA, 2008, p. 2).Cada vez mais se percebe empresas privadas procurando atuar como agentes de desenvolvimento. Além de vender bens e serviços, preocupam-se em mostrar responsabilidade pelo contexto social e ambiental em que realizam suas atividades, mantendo um bom relacionamento com os seus stakeholders. (GOLDSTEIN, 2007, p. 7).

A questão da responsabilidade social empresarial é tema recente, polêmico e dinâmico, envolvendo desde a geração de lucros pelos empresários, em visão bastante simplificada, até a implementação de ações sociais no plano de negócios das companhias, em contexto abrangente e complexo. (TENÓRIO, 2006, p. 13).

A idéia da exposição de práticas de negócios a um número maior de interessados vem ocorrendo desde a Grande Depressão Americana dos anos 30. Porém, foi em 1899 que a primeira abordagem referente à responsabilidade social das grandes empresas surgiu.

O empresário A. Carnigie, como fundador do conglomerado U.S Stell Corporation, aderiu às práticas de responsabilidade social através do princípio da caridade e da custódia, conforme Stoner (1985 apud Karkotli; Aragão, 2004, p. 49).

Conforme o autor explica, o princípio da caridade instituía uma obrigação aos mais abastados, no sentido de contribuir financeiramente com os menos favorecidos da sociedade, como idosos, desempregados e inválidos, por exemplo, enquanto o princípio da custódia instituía a idéia das empresas e ricos multiplicarem a riqueza da sociedade. Tanto o princípio da caridade, como o da custódia, eram considerados iniciativas assistencialistas e paternalistas, pois a obrigação restringia-se apenas a proprietários e administradores, e não propriamente as empresas. (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004, p. 49).

Em 1919, a questão da ética, da responsabilidade e da discricionariedade dos dirigentes de empresas abertas veio a público com o julgamento do caso Dodge versus Ford, nos EUA, que tratava da competência de Henry Forrd, presidente a acionista majoritário da empresa, para tomar decisões que contrariavam interesses dos acionistas John e Horace Dodge. [...] A Suprema Corte de Michigan foi favorável aos Dodges, justificando que a corporação existe para o benefício de seus acionistas e que diretores corporativos têm livre-arbítrio apenas quanto aos meios para alcançar tal fim, não podendo usar os lucros para outros objetivos. (ASHLEY, 2002, p. 18 e 19).

Foi somente nos anos 50 e 60 que começou a se repensar a idéia da responsabilidade social vigente e expandir seus horizontes nos Estados Unidos, a partir da guerra do Vietnã. Nesta época, a sociedade repudiou a utilização de armamentos bélicos produzidos por empresas norte-americanas, prejudiciais ao meio ambiente e ao homem. (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004, p. 50).

Com isto, uma nova concepção de responsabilidade social emergiu e pautou-se pelo reflexo dos objetivos e valores sociais. Houve o entendimento de que as companhias estão inseridas em ambiente complexo, onde suas atividades influenciam ou têm impacto sobre diversos agentes sociais, comunidade e sociedade. (TENÓRIO, 2006, p. 20). A nova moral das empresas passou por uma mudança, havendo um limite para o que produziam e vendiam, criando um novo paradigma da responsabilidade social pós-guerra do Vietnã. (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004, p. 50).

Porém, nesta época, a responsabilidade social encontrou muitas barreiras, através da figura dos fundamentalistas, que apoiavam a idéia de que as empresas devem somente realizar atividades que visam ao lucro dos acionistas. (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004, p. 51). Conforme o autor, os fundamentalistas diziam que qualquer desvirtuamento desta finalidade acabaria gerando impacto sobre os consumidores e, conseqüentemente, sobre a sociedade.

Na sociedade pós-capitalista, o conceito de responsabilidade social amplia-se, instituindo uma nova visão que vai além da obrigação com os acionistas, e passa a incluir outros grupos constituídos na sociedade também. Assim como considera Druker (1989 apud Karkotli; Aragão, 2004, p. 52), a empresa deve assumir responsabilidade por eventuais impactos causados para tudo e todos.

Riahi-Belkaqui; Pavlik (1992 apud Karkotli; Aragão, 2004, p. 55) vão além ao afirmar que está implícita na razão de ser da empresa a maximização do bem-estar social. A continuidade da empresa, no longo prazo, segundo Tenório (2006, p. 21), passa a depender da capacidade da administração no atendimento aos anseios da sociedade, incluindo as expectativas de outros agentes, além de empregados, acionistas e governo, em seu plano de negócios.

Oliveira (2008, p. 27 e 28) concorda ao afirmar que todas as tendências provenientes de movimentos da sociedade civil, governos e empresas aumentaram a responsabilidade social para as dimensões ética, social, econômica, política, havendo uma gradual incorporação de outras nas suas linhas de atuação.

Portanto, as visões de responsabilidade social corporativa são inúmeras, que como colocado por Neto; Froes (2004, p. 39), são as seguintes:
A)    “Como um conjunto de valores”
B)    “Como atitude e comportamento empresarial ético e responsável.”
C)    “Como exercício da capacitação profissional.”
D)    “Como estratégia de integração social.”
E)    “Como exercício da consciência ecológica.”
F)    “Como promotora da cidadania individual e coletiva.”
G)    “Como estratégia social de inserção na comunidade.”
H)    “Como estratégia de valorização dos produtos/serviços.”
I)    “Como estratégia de recursos humanos.”
J)    “Como estratégia de valorização das ações da empresa(agregação de valor).”
K)    “Com estratégia de marketing institucional”
L)    “Como estratégia de relacionamento.”
M)    “Como postura estratégica empresarial.”

REFERÊNCIAS
ASHLEY, Patricia Almeida et al. Ética e responsabilidade social nos negócios. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
GOLDSTEIN, Ilana. Responsabilidade social: das grandes corporações ao terceiro setor. São Paulo: Ática, 2007.
KARKOTLI, Gilson; ARAGÃO, Sueli Duarte. Responsabilidade social: uma contribuição à gestão transformadora das organizações. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.
NETO, Francisco P. de Melo; FROES, César. Gestão da responsabilidade social corporativa: o caso brasileiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.
OLIVEIRA, José Antônio Puppim de. Empresas na Sociedade. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
TENÓRIO, Fernando Guilherme. Responsabilidade social empresarial: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006.