Histórico do Desenvolvimento Sustentável
A Revolução Industrial possibilitou uma expansão da capacidade humana de deslocamento e produção, permitindo uma maior interferência na natureza, segundo Oliveira (2008). O autor explica que esta aumentou consideravelmente a utilização de recursos naturais per capita e a degradação ambiental, que por sua vez, foi conseqüência de resíduos e efluentes do processo de produção, gerando uma visão na época, de que só haveria desenvolvimento em detrimento da qualidade ambiental.
Os primeiros movimentos contrários a esta lógica surgiram na segunda metade do século XIX, sendo denominados de movimentos conservacionistas. Entretanto, não conseguiram mudar a ação humana de forma mais veemente. (OLIVEIRA, 2008).
Segundo Oliveira (2008, p. 18), a partir da Segunda Guerra Mundial, houve uma reorganização das economias e parques industriais das grandes potências da época, o que culminou no alcance, por parte da população, de padrões materiais altos.
Entretanto, este aumento de padrão exigiu que fossem realizadas algumas mudanças, o que trouxe uma série de conseqüências ambientais, como explicado por Oliveira (2008, p. 18):
Para o crescimento do padrão material da população, foram necessárias várias transformações, como, por exemplo, aumentar o número e tamanho de fábricas e a quantidade de veículos, e até mesmo dar um salto de produção na agricultura com a revolução verde. [...] Teve como conseqüência a criação de vários problemas ambientais [...] Com a poluição do ar e da água e a com contaminação dos solos. No campo, espécies estavam sendo extintas com a expansão das propriedades agrícolas e a revolução verde, que levava ao uso intensivo de fertilizantes e pesticidas.
A partir de 1960, uma nova revolução ocorreu nos âmbitos social, tecnológico e ambiental, a qual foi chamada de Era Pós-Industrial, onde se percebeu uma menor dependência do setor industrial e maior do setor de serviços. (OLIVEIRA, 2008, p. 19). Este período, segundo Filho (2004, p. 39), ficou marcado pelo aparecimento de organizações não-governamentais de forma exponencial.
Os movimentos ambientalistas começaram a se organizar e espalharam-se, questionando os impactos desta sociedade moderna, cada vez menos dependente do setor industrial. (OLIVEIRA, 2008, p. 20). Este novo ambientalismo emerge, em meio a movimentos estudantis e hippies, com objetivos e demandas bem definidos, chamando a atenção para as conseqüências devastadoras que um desenvolvimento sem limites estava provocando, de modo politicamente consciente. (GONÇALVES, 2005).
Na década de 1970, segundo Filho (2004, p. 38), o movimento ambientalista proliferou com uma série de atores e processos globais, tais como: grupos e organizações que lutam pela proteção ambiental; agências governamentais encarregadas desta proteção; grupos de cientistas que pesquisam os temas ambientais; gestão de recursos e processos produtivos, em algumas empresas, voltada a eficiência energética, redução da poluição; e, demandadores de produtos caracterizados como “verdes” no mercado.
Segundo Goldstein (2007, p. 54), o conceito de desenvolvimento sustentável começou a se delinear nesta época, não só para resolver os problemas ambientais, mas também para garantir o prosseguimento do desenvolvimento tecnológico e econômico. Conforme a autora, o germe da idéia surgiu na década de 1970, durante a Primeira Conferencia das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada na cidade de Estocolmo, que deu origem ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Filho (2004, p. 39) afirma que “A conferência de Estocolmo-72 sobre o meio ambiente [...] evidenciou a preocupação do sistema político – governos e partidos – e da própria Igreja Católica, com a questão” ambiental.
Concomitantemente, nesta mesma época, havia um dilema sobre como combater os problemas ambientais. Segundo Oliveira (2008, p. 20):
As empresas diziam que os problemas ambientais eram conseqüências naturais da produção desde os primórdios da Revolução Industrial, ou seja, se você produz, vai ter poluição e problemas sociais. Assim, se a população quer altos padrões materiais terá, conseqüentemente, de suportar altos padrões de contaminação ambiental. O Estado não sabia como compatibilizar produção material e preservação da qualidade de vida. Ele dependia dos empregos e impostos gerados pelas fábricas. Boa parte da população civil era empregada nas fábricas e via na produção industrial uma forma de geração de emprego e renda.
Nesta fase, paralelamente, várias experiências práticas demonstraram que empresas e comunidade tinham conseguido melhorar a qualidade ambiental e ao mesmo tempo melhorar o desempenho econômico, ou seja, que os dois não eram incompatíveis como se pensava. (OLIVEIRA, 2008, p. 23).
Tais questionamentos e experimentos “levaram a ONU a criar uma comissão de especialistas para analisar mais de perto as causas e conseqüências dos problemas ambientais e suas soluções”. (OLIVEIRA, 2008, p. 23).
Os anos 80 são marcados pela Comissão Brundtland e pela proeminência dos partidos verdes que haviam surgido na década anterior. (FILHO, 2004, p. 39). O relatório, realizado pela Comissão, foi publicado em abril de 1987, intitulado “Nosso futuro comum”, sendo o primeiro a definir o conceito de desenvolvimento sustentável como: “o desenvolvimento sustentável é aquele que responde as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder as suas necessidades. (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, apud GOLDSTEIN, 2007, p. 54).
Enquanto a comissão trabalhava e divulgava seus resultados, o mundo assistia a camada de ozônio sendo destruída pelos cloro-fluor-carbonos (CFCs), o aquecimento global aumentando e a fauna e flora sendo extinta.
Diante destes problemas generalizados e a necessidade de pôr em prática o desenvolvimento sustentável em âmbito global, a ONU organizou a conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. (OLIVEIRA, 2008, p. 24).
Os objetivos fundamentais da Conferência eram conseguir um equilíbrio justo entre as necessidades econômicas, sociais e ambientais das gerações presentes e futuras e firmar as bases para uma associação mundial entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, assim como entre os governos e os setores da sociedade civil, enfocadas na compreensão das necessidades e os interesses comuns. (GONÇALVES, 2005).
Desde então, vários protocolos foram assinados, entre eles o Protocolo de Kyoto, pelo qual os signatários se comprometeram a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa em pelo menos 5% até 2012. (GOLDSTEIN, 2007, p. 55).
Os anos 90 caracterizaram-se pela entrada do setor empresarial, o qual objetivava o aproveitamento de um emergente mercado verde, isto é, que impõe ou valoriza ao produtor o cuidado ambiental. (FILHO, 2004, p. 39).
Em 2002, houve a conferência chamada de “Cúpula Global, Rio+10”, na qual se chegou à conclusão de que a situação se agravou desde a última realizada no Rio de Janeiro. (OLIVEIRA, 2008, p. 25). Esta alertou para o problema da degradação dos recursos hídricos ao redor do globo e colocou a pobreza na agenda global de desenvolvimento sustentável, conforme Oliveira (2008, p. 24 e 25).
Atualmente, o desenvolvimento sustentável evoluiu em complexidade consideravelmente, no sentido de englobar mais os pilares econômico e social, além de outros fatores que vão além da preocupação ambiental, a qual foi bastante debatida desde o relatório de 1987, intitulado “Nosso futuro comum”.
Segundo Oliveira (2008, p. 23), o conceito de desenvolvimento sustentável embute a idéia de que o mesmo tem de ocorrer nas esferas ambiental, econômica e social, existindo também a dimensão política, que seria a transparência e participação.
Elkington (2001, p. 99) explica este conceito adicionando que, além dos pilares econômico, social e ambiental, os direitos humanos – inclusive o direito a um meio ambiente limpo e seguro – devem ser conservados para as gerações futuras.
Goldstein (2007, p. 55) segue a mesma linha ao afirmar:
Há um último aspecto, normalmente negligenciado, que merece destaque: o pólo social do tripé no qual está apoiado o conceito de desenvolvimento sustentável. Na verdade, para que nossa sociedade possa continuar existindo e para que o próprio capitalismo perdure, além do equilíbrio ecológico, é necessário perseguir uma maior justiça social. Se não houver, por exemplo, segurança pública, indivíduos qualificados e saudáveis, sistemas de representação política efetiva, consumidores com poder aquisitivo, eleitores com capacidade de exigir que as leis sejam cumpridas, tampouco haverá desenvolvimento duradouro e pleno.
Frankel (apud Neto; Froes, 2004, p. 182) concorda ao afirmar que a sustentabilidade era ser ecologicamente sustentável, o que mudou seu paradigma a partir da emergência da equidade social como questão central. O autor completa com relação à expansão conceitual de desenvolvimento sustentável: [...] “A sustentabilidade é um desafio sistêmico e deve ser tratada como tal”.
REFERÊNCIAS
ELKINGTON, John. A teoria dos três pilares. Tradução de Patrícia Martins Ramalho. São Paulo: MARKRON Books, 2001.
FILHO, Gilberto Montibeller. O mito do desenvolvimento sustentável: meio ambiente e custos sociais no moderno sistema produtor de mercadorias. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2004.
GOLDSTEIN, Ilana. Responsabilidade social: das grandes corporações ao terceiro setor. São Paulo: Ática, 2007.
GONÇALVES, Daniel Bertoli. Desenvolvimento sustentável: o desafio da presente geração. Disponível em: <http://www.freewebs.com/danielbertoli/textos/texto16.pdf>. Acesso em: 18 de abril. 2008.
NETO, Francisco P. de Melo; FROES, César. Gestão da responsabilidade social corporativa: o caso brasileiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.
OLIVEIRA, José Antônio Puppim de. Empresas na Sociedade. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
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oubrigado pelo texto vc me ajudou muito a estudar e a fazer o traballho
oubrigada mesmo
beijos tchal