Instituições ambientais a favor da sustentabilidade empresarial
Como organizações não governamentais tem potencializado o envolvimento de empresas de diversos ramos na busca de um desenvolvimento sustentável
Por Fernanda Carreira e Cristina Leite
Fotos: Wiliam Aquino
Até recentemente, seria comum encontrar na grande maioria das companhias, empreendedores, cuja visão de trabalho se direcionava para a produção em larga escala, objetivando unicamente os lucros e sua credibilidade no mercado, desprezando por completo as questões ambientais. O conceito de desenvolvimento econômico não estava relacionado à preservação das condições ambientais do planeta, essas essenciais à sobrevivência humana.
Hoje, porém, há uma nova tendência, pela qual, os empreendimentos que desejam alcançar resultados positivos devem atrelar a imagem de sua empresa à proteção do meio ambiente. Essa iniciativa das empresas não é somente uma consequência do entendimento da necessidade de conservação do meio ambiente, por parte dos empresários, mas também obediência em atender às leis ambientais e colaborar com o desenvolvimento sustentável.
Entre essas empresas, as companhias do setor civil têm expandido seus negócios devido ao desenvolvimento econômico do país e atualmente, com os grandes eventos esportivos, que serão realizados no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o trabalho dessas empreiteiras será ainda mais impulsionado. Serão realizadas grandes construções na área de infraestrutura, hotéis e estádios, muito há o que se construir, adequar ou reformar, o que acaba gerando um considerável impacto sobre o meio ambiente.
Com objetivo de amenizar esse efeito, as construtoras estão buscando, cada vez mais, apoiar, ou mesmo financiar, projetos ambientais e planos de reflorestamento. O chamado LEED, desenvolvido nos Estados Unidos, é um certificado que tem sido adotado atualmente, no planejamento de construção civil, com o intuito de assegurar que as obras atendem aos padrões ecologicamente corretos.
De acordo com Fernando Barros, engenheiro civil especializado em planejamento de gestão ambiental, a construção civil é uma das atividades humanas que mais impactam no meio ambiente. “Por isso o LEED é uma alternativa para uma construção verde que focaliza a redução do impacto ambiental, economia de energia elétrica e reaproveitamento de água”, diz.
Além disso, já vigora o decreto n° 6.848 de 14 de maio de 2009, que regulamenta a compensação ambiental com uma taxa de cobrança que empresas devem pagar. A taxa é cobrada de acordo com um estudo prévio feito pelo IBAMA, não ultrapassa 0,5% dos custos totais previstos para implantação de empreendimentos e tem como finalidade diminuir a devastação que muitas empresas causam ao meio ambiente.
Cientes dos benefícios ambientais do reflorestamento, muitas instituições passaram a prestar serviços de consultoria nessa área. Como é o caso do IBFLORESTAS, uma instituição, sem fins lucrativos, que atua em todo Brasil e é voltada à proteção de florestas nativas da Mata Atlântica e ao reflorestamento de áreas degradadas.
De acordo com Higino Aquino, diretor de desenvolvimento institucional, desde a sua fundação, o IBFLORESTAS assumiu o compromisso de plantar árvores com responsabilidade e criou ferramentas para envolver a sociedade nessa empreitada. “Uma forma de integrar as empresas foi oferecer este trabalho de neutralizar as emissões de CO2, através do plantio de árvores, isso gera um impacto, até inclusive midiático”, diz.
Para Higino Aquino, a expansão de empreiteiras e incorporadoras do setor civil aumentou a necessidade de projetos socioambientais e planos de reflorestamento para recuperar áreas degradadas e compensar as emissões de CO2. “Investir em projetos socioambientais é uma regra de mercado” menciona.
Além dos resultados positivos do reflorestamento, como proteção à biodiversidade, combate ao aquecimento global e o envolvimento de famílias indígenas e de agricultores em projetos promovidos por essas instituições, indiscutivelmente as empresas ganham destaque na mídia e o seu produto passa a ser melhor aceito no mercado. Essa tem sido uma ferramenta de marketing no ramo empresarial.
Segundo o diretor de desenvolvimento institucional do IBFLORESTAS, pode-se observar, no país, um movimento forte de empresas, principalmente as pequenas, se capacitando a fazer inventários de emissões de CO2, desenvolvendo projetos socioambientais e potencializando sua produção de mudas. “Para se ter uma idéia, em 2008, estávamos produzindo 3,6 milhões de mudas de árvores nativas por ano. E atualmente, nosso viveiro produz 12 milhões de mudas/ano”, destaca.
Higino Aquino explica ainda, que parte dessa demanda trata-se de projetos obrigatórios que seriam compensações ambientais, entre outros. Porém, o número de árvores destinado a projetos voluntários, como é o caso da neutralização de CO2, representava menos que 5% da demanda e hoje, estima-se que 20% das mudas produzidas pelo IBFLORESTAS, já são direcionadas a este tipo de projeto.
Um dos novos projetos é uma aventura que irá iniciar no Arroio do Chuí, plantando árvores de bicicleta. A meta é chegar até o Oiapoque plantando árvores. Os diretores da instituição pretendem passar por várias cidades do Brasil, convidando as pessoas a plantarem árvores, a conhecerem a importância consciência ambiental para que todos se tornem mais ativos na proteção dos recursos naturais.
Se você tem interesse em conhecer um pouco mais sobre o trabalho do IBFLORESTAS, entre no site http://www.ibflorestas.org.br.
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