Ipea confirma elevação do rendimento das camadas de mais baixa renda
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
O presidente do Instituto Nacional de Política Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, disse ser compatível a constatação da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio (Pnad) de elevação do rendimento da base da pirâmide social.
O estudo foi divulgado hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e faz um comparativo entre setembro de 2008 e o mesmo mês de 2007.
Falando à Agência Brasil, Pochmann analisou que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) já mostravam que mais de quatro quintos dos empregos formais gerados eram até três salários mínimos.
“O dinamismo da economia naquele período até a crise vinha da geração de empregos de remuneração menor. Esses empregos são fortemente influenciados pela política de salário mínimo e não muito pelas negociações coletivas de trabalho dos sindicatos”.
Por isso, ele considerou razoável a informação da Pnad. Segundo Pochmann, ela expressa um pouco da dinâmica do crescimento econômico que o país está experimentando nos últimos cinco anos, que foi uma expansão via mercado interno e concentrada na base da pirâmide social brasileira.
“O comportamento do mercado de trabalho foi muito interessante, seja antes da crise, como a PNAD mostra, seja durante e na fase posterior à crise”.
Ele explicou que antes da crise o melhor desempenho do mercado de trabalho ocorria no mercado formal. Houve uma mudança importante na composição do emprego na sua totalidade, não apenas pela dinâmica econômica, mas também devido ao esforço que foi dado à formalização das pequenas e micro empresas, além de maior crédito e da mudança na legislação.
Pochmann lembrou que durante a crise, o que costumava ocorrer era a combinação de desemprego com informalidade.
“Tivemos um aumento do desemprego, mas não houve a expansão da informalidade, como tradicionalmente se verificava. O mecanismo de ajuste tradicional terminou sendo a rotatividade, que fez, de maneira geral, que os salários maiores sejam trocados por salários menores”.
O presidente do Ipea destacou, entretanto, que como os salários menores estão protegidos pela política do salário mínimo, não há um rebaixamento no que diz respeito à base da pirâmide social. “Esse é um diferenciador importante do ciclo de expansão que nós vínhamos tendo até antes da crise”.
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