Metáfora do Iceberg e o Desenvolvimento Sustentável

Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra deriva do latim metaphòra (metáfora), por sua vez trazido do grego metaphorá (“mudança, transposição”). O prefixo met(a)- tem sentido de “no meio de, entre; atrás, em seguida, depois”. O sufixo -fora (em grego phorá) designa ‘ação de levar, de carregar à frente’. Esta figura de linguagem é utilizada no emprego de uma palavra fora do seu sentido normal, isto é, em sentido figurado.

Uma das mais interessantes metáforas que existem na minha visão é a do Iceberg. Esta pode ser utilizada para explicar muitos fenômenos sociais, bem como para fazer uma crítica a muitos acontecimentos cotidianos que escondem muitos mistérios a primeira vista.

O objetivo da metáfora é justamente “abrir os olhos” para enxergar além do superficial. Assim como num iceberg visto por uma embarcação em alto mar, somente é possível enxergar uma parte daquela imensa massa de gelo flutuante. Porém, abaixo da linha d’água, encontra-se uma massa ainda mais imponente de gelo.

Enquanto o leigo enxerga apenas o que está acima da linha d’água, o estudioso do Desenvolvimento Sustentável precisa identificar o que está oculto, tornando visível o lado subjetivo daquilo que está sendo estudado, seja um projeto, programa, ação comunitária, entre outros. Muitas vezes nós apenas enxergamos o lado formal de um programa de governo, por exemplo. Entretanto, por trás daquele existe uma enorme incerteza que não pode ser desvendada, como agendas ocultas, comunicação informal, acordos não explícitos, etc.

Ao integrar os aspectos formais e informais, o estudioso da sustentabilidade pode auxiliar a desvendar os mistérios que impedem a construção de um ambiente mais transparente e saudável, a fim de contribuir para o bem-estar social.

A ideia é se questionar constantemente e procurar conhecer bem qualquer atitude sustentável da qual você toma conhecimento, além de não tirar conclusões precipitadas. Por exemplo, imaginemos uma empresa com um vasto programa de responsabilidade social corporativa externa e internamente, isto é, uma organização preocupada com o meio ambiente, a sustentabilidade do planeta, a saúde do trabalhador, etc. Em suma, uma empresa ímpar!

A primeira vista você poderia pensar: nossa, mas que empresa fantástica! Mas será que esta empresa é um modelo mesmo de boa conduta ambiental e social? É preciso sempre lembrar que as empresas querem também crescer e se desenvolver num mercado cada vez mais competitivo. Por trás de todas aquelas ações responsáveis, emerge o objetivo maior que é o desenvolvimento daquela empresa. E como cada vez mais tem se exigido das empresas estas condutas, muitas se viram obrigadas a adotar tais posturas para não perder uma importante fatia de mercado.

Então seguindo neste mesmo exemplo da empresa, algumas perguntas podem ser feitas para elucidação.

- perguntar aos colaboradores se eles estão satisfeitos com o programa de responsabilidade social corporativo interno da empresa e como este poderia ser melhorado.

- verificar se as pessoas estão satisfeitas com o tratamento dado na comunidade onde a empresa atua responsavelmente.

- Verificar se o dinheiro inicialmente planejado está realmente sendo empregado onde se deve.

- Procurar conhecer a política por trás de muitas ações empresariais

Estas são apenas algumas das infinitas indagações que podem ser feitas. Portanto, é preciso sempre buscar conhecer o lado oculto. Claro que muitas vezes isto não é fácil e exige muito esforço do cidadão. O importante é sempre lembrar da lição trazida pela metáfora do Iceberg. Por trás de uma pequena massa de gelo na superfície, uma outra muito maior e misteriosa se esconde.

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Comentários

Parabens pelo artigo, estou fazendo mestrado sobre o assunto Responsabilidade Social Corporativa, e vi em seu artigo claramente a visao do Iceberg onde algumas companias ainda veem este assunto somente um pouquinho do que ele pode representar como estrategia empresarial para aumentar a competitivida da empresa, se eles pudessem vislumbrar o que tem abaixo da linha do horizonte empresariais normais, veriam ama nova forma de sobrevivencia da empresa, alem de beneficiar os stakeholders (comunidade, clientes internos e externos, governos e meio ambiente)receberiam em troca em detrimento a estes investimentos a fidelidade dos clientes, o reconhecimento da marca do produto e da empreesa no mercado, a motivacao de seus funcionarios e alem de tudo como destaca Stoner and Freeman gerariam lucros.

Parabens
Deixo um abraco meio gelado demonstrando profundamente meu apreco pelo artigo e pela esta nova forma de “estrategia empresarial”. que propoe um desenvolvimento sustentavel.

Atos 20:35 “… Mais bem-aventurada coisa é dar que receber.”

Geraldo

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