Por Maiesse Gramacho, da UnB Agência

Pesquisadores da UnB tentam identificar catalisador capaz de degradar partículas poluentes resultantes da combustão no motor.

É comum ver, no trânsito das grandes cidades, ônibus e caminhões expelindo uma densa fumaça negra. Não precisa ser especialista para saber que a substância é tóxica e, por isso, prejudicial à saúde e à atmosfera. Mas uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Química da Universidade de Brasília pode contribuir para conter a poluição causada por esses veículos.

O estudo busca uma forma de degradar particulados de diesel – resultantes do processo de combustão que ocorre nos motores movidos a este tipo de combustível. As partículas, quando entram contato com o meio ambiente ou são aspiradas pelo homem, podem causar doenças graves, entre elas, câncer.

“Essas partículas de carbono são expelidas para a atmosfera, na maioria das vezes com pouco ou nenhum tratamento”, diz Fillipe Garcia, autor da dissertação de mestrado Síntese e caracterizações de óxidos suportados e suas aplicações na oxidação de particulados de diesel, defendida na UnB em fevereiro de 2009.

A pesquisa pretende identificar uma substância catalisadora capaz de degradar os particulados antes que sejam expelidos para a atmosfera. “Estamos pesquisando catalisadores mais eficientes. A ideia é usá-los suportados num filtro de cerâmica a ser acoplado no tubo exaustor dos veículos”, detalha o químico.
Fillipe explica que os particulados de diesel são nanopartículas de carvão, com resíduos da queima do diesel absorvidos em suas superfícies. “Quando as pessoas respiram essas partículas, elas conseguem ultrapassar a membrana pulmonar e podem ocasionar diversos efeitos negativos, como doenças pulmonares e até câncer”, diz o pesquisador.

Para o meio ambiente, os efeitos do particulado de diesel também podem ser graves. “Já foi constatado que essa substância pode afetar o equilíbrio ambiental, causando até a esterilidade de machos de diversas espécies”.

VIABILIDADE – De acordo com Fillipe, o grande desafio do estudo é obter um catalisador capaz de degradar os particulados na mesma temperatura de exaustão do gás que é eliminado pelos motores, no processo de combustão. “Estamos trabalhando com materiais suportados em um tipo de aluminosilicato”, conta o químico.

“Tentamos escolher um catalisador barato para que o filtro se torne um produto economicamente viável no futuro”, diz o professor José Dias, que orientou a dissertação. Segundo o docente, existem catalisadores mais eficientes, porém muito mais caros por utilizarem em sua composição metais nobres de alto custo.
Os particulados de diesel são degradados a temperaturas em torno de 600° Celsius. Com o uso do catalisador, a degradação ocorre a temperaturas mais baixas. “No laboratório, acompanhamos a queima dos particulados utilizando diversos tipos de catalisadores – com o melhor deles, conseguimos baixar para algo em torno de 380°, 400° Celsius, o que é um deslocamento significativo”, pondera Fillipe.

O pesquisador ainda não sabe dizer quando o filtro poderá ser comercializado, nem quanto custará. No entanto, acredita que os benefícios que o equipamento trará compensarão o investimento. “O governo está trabalhando com leis cada vez mais restritivas, de modo que existe a necessidade de um componente que possa, efetivamente, diminuir a emissão de gases poluentes. E é isso que estamos tentando fazer com esse estudo”, afirma Fillipe Garcia.

(Envolverde/UnB Agência)

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