O microempreendedorismo e o processo empreendedor
Autor: Giórgio de Jesus da Paixão*
A partir do momento em que o microcrédito é aliado à figura do empreendedor, obtemos o microempreendedorismo. Uma forma de utilizar recursos com criatividade e inovação.
Conforme explicita (FREIRE, 2005) Um empreendedor é uma pessoa que detecta uma oportunidade e que cria uma organização (ou a adquire ou é parte de um grupo que o faz) para encará-la.
O processo empreendedor compreende todas as atividades relacionadas com a detecção de oportunidades e a criação de organizações para concretizá-las. (FREIRE, 2005, PÁG. 2).
Existem muitas definições, mas uma das mais antigas e que talvez melhor reflita o espírito empreendedor seja a de Joseph Schumpeter (1949):
“O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais” (Dornelas, 2005, pág. 39).
A raiz do empreendedorismo, um primeiro exemplo de definição da palavra tem seu alicerce no idealismo das navegações européias com Marco Pólo.
Como empreendedor, Marco Pólo assinou um contratou com um homem que possuía dinheiro (hoje mais conhecido como capitalista) para vender as mercadorias deste. Enquanto o capitalista era alguém que assumia riscos de forma passiva, o aventureiro empreendedor assumia papel ativo, correndo todos os riscos físicos e emocionais. (DORNELAS, 2005)
Com o passar dos anos a palavra de origem (entrepreneur) quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo começou a adquirir uma conotação mais ampla, com estudos em cima do tema e novas definições. Entretanto, entre o final do século XIX e início do século XX, a figura do empreendedor começou a ser utilizada com o mesmo sentido dado ao administrador transpassando a delimitação entre eles.
Porém, temos de fazer aqui uma diferenciação. Todo o empreendedor necessariamente deve ser um bom administrador para obter o sucesso, no entanto, nem todo bom administrador é um empreendedor. O empreendedor tem algo a mais, algumas características e atitudes que o diferenciam do administrador tradicional. (Dornelas, 2005, pág. 30)
Analisando o movimento do empreendedorismo no Brasil constatamos que o mesmo começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. Antes disso, praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de pequenas empresas. Os ambientes político e econômico do país não eram propícios, e o empreendedor praticamente não encontrava informações para auxiliá-lo na jornada empreendedora. Hoje os empreendedores dispõem de uma gama expressiva de ferramentas e materiais complementares à sua atuação.
Por isso, o momento atual pode ser chamado de a era do empreendedorismo, pois são os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade. (DORNELAS, 2005).
O Processo Empreendedor
O empreendedor possui uma diferenciação dos demais indivíduos, pois percebe oportunidades em variadas situações cotidianas.
Todo o processo empreendedor inicia-se quando um evento gerador desses fatores possibilita o inicio de um novo negócio. A figura a seguir exemplifica fatores que são determinantes durante o processo do empreendedorismo.
Aliando a questão da inovação ao processo empreendedor podemos explicitar esse funcionamento da seguinte forma:
Primeiramente há a identificação e avaliação da oportunidade (fase I); desenvolvimento do plano de negócios (fase II); determinação e captação dos recursos necessários (fase III) e gerenciamento da empresa criada (fase IV). Durante este ciclo as fases não se apresentam de forma seqüencial e padronizada. Há uma dinamicidade e correlação entre elas, ou seja, quando não se conclui uma fase não necessariamente esteja intrínseco que a próxima não possa ser iniciada e sim, uma alternância de conhecimentos entre estas fases.
A oportunidade identificada pelo empreendedor está relacionada às necessidades do mercado. Tais necessidades podem ser inéditas, ou seja, despertadas pelo próprio empreendedor com seu novo conceito de negócio em um nicho de mercado antes inexplorado. Por outro lado, essas necessidades de mercado podem ser inéditas, mas atendidas, até então, de forma inadequada pela concorrência. A oportunidade estará, portanto, na maneira diferenciada com que se atuará nesse mercado. O que temos de importante aqui é o seguinte: você precisará relacionar os tipos de necessidades de mercado associadas à oportunidade identificada, e de braços dados com as necessidades estão os benefícios implícitos que seu cliente espera ver atendidos (CHER, 2008).
Estimular a busca de oportunidades a partir do conjunto de suas experiências anteriores significa reduzir seu risco. Para tanto, são úteis as investigações a partir do mapeamento de GAPs em cadeias produtivas de seu maior conhecimento. Busca oportunidades fora de sua zona de conforto, por outro lado, enseja risco maior. (…) é mais arriscado abrir qualquer negócio sem experiência anterior no ramo (CHER, 2008, pág. 83).
O importante entre esses dois conceitos é estabelecer um paralelo entre eles, culminando na seguinte questão: a compatibilidade entre a idéia e você. Em outras palavras, é preciso escolher uma idéia adequada a seus talentos e suas experiências. É igualmente importante escolher uma idéia que se encaixe no que você é, com seus valores e com seus sentimentos mais pessoais.
Freire (2005) afirma que podemos ver o processo empreendedor sob a forma de um triangulo invertido.
No ponto de apoio ( o vértice inferior), está o empreendedor; no vértice da direita, está o capital; e no da esquerda, o projeto ou a idéia. Todo processo empreendedor integra esses três componentes. Quando um empreendimento não alcança sucesso, isto é decorrente de uma destas três razões, ou de uma combinação delas: o empreendedor não era bom, não conseguiu o capital necessário ou o projeto empreendido está errado. (FREIRE, 2005, PÁG. 6)
A partir deste ponto destacamos algumas características dos empreendedores de sucesso segundo (DORNELAS, 2005):
• São visionários
• Sabem tomar decisões
• São indivíduos que fazem a diferença
• Sabem explorar ao máximo as oportunidades
• São determinados e dinâmicos
• São dedicados
• São otimistas e apaixonados pelo que fazem
• São independentes e constroem o próprio destino
• Ficam ricos
• São lideres e formadores de equipes
• São bem relacionados (networking)
• São organizados
• Planejam, planejam, planejam
• Possuem conhecimento
• Assumem riscos calculados
• Criam valor para a sociedade
Desta forma, verificamos que empreendedores são pessoas que além de criativas, trabalhadoras e esforçadas são pessoas que buscam cada vez mais o conhecimento. Para propor a sustentabilidade, o empreendedor necessita possuir e construir uma visão estratégica e um planejamento de longo alcance. Na formulação deste planejamento, a ferramenta mais comumente utilizada é o plano de negócios.
O plano de negócios é um documento usado para descrever um empreendimento e o modelo de negócios que sustenta a empresa. Sua elaboração envolve um processo de aprendizagem e autoconhecimento, e, ainda, permite ao empreendedor situar-se no seu ambiente de negócios. Cada uma das seções do plano tem um propósito específico (DORNELAS, 2005)
Quando se fala em empreendedorismo, remete-se naturalmente ao termo plano de negócios (business plan). (…) o plano de negócios é parte fundamental do processo empreendedor. Empreendedores precisam saber planeja suas ações e delinear estratégias da empresa a ser criada ou em crescimento. A principal utilização do plano de negócios é a de prover uma ferramenta de gestão para o planejamento e desenvolvimento inicial de uma start-up. No entanto, o plano de negócios, tem atingido notoriedade como instrumento de captação de recursos financeiros junto a capitalistas de risco e Angel investors[1], principalmente no tocante às empresas de tecnologia e com propostas inovadoras (Dornelas, 2005, pág. 93).
[1]‘Angel Investors’ é uma pessoa física ou uma empresa disposta a investir em empresas que estão iniciando suas atividades empresariais (startup) ou pensam em iniciar atividades comerciais ou industriais, contudo, não contam com o aporte financeiro necessário para a empreita. Muitas vezes, é representado por um familiar conhecido do empreendedor, como o pai, a mãe, um parente próximo ou um amigo e eventualmente, até um recurso obtido de entidades públicas ou privadas a fundo perdido. Este investidor é alguém que acredita no projeto, vislumbra retorno econômico e aporta os recursos para lançar o empreendimento e esta disposto a correr riscos, enquanto aguarda ganhos financeiro com o crescimento da empresa. Adaptado de Dornelas (2005).
Referências:
DORNELAS, José Carlos Assis,. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier, 2005. 293 p.
FREIRE, Andy. Paixão por empreender: como colocar suas idéias em prática : como transformar sonhos em projetos bem-sucedidos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 147 p.
CHER, Rogerio. Empreendedorismo na veia: um aprendizado constante. Rio de Janeiro: Elsevier; SEBRAE, 2008. 228 p.
*Giórgio de Jesus da Paixão é graduado do curso de Administração Pública da UDESC/ESAG. Atualmente é colaborador do SENAI.
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