O paradoxo da humildade x arrogância no conceito de Desenvolvimento Sustentável
O Desenvolvimento Sustentável busca suprir as demandas do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder às suas necessidades. É aquele que procura no presente preencher as lacunas econômicas, sociais, ambientais, políticas (no que tange a transparência e participação), além dos direitos humanos – inclusive o direito a um meio ambiente limpo e seguro – buscando-se conjuntamente a conservação destes para as gerações futuras.
No mundo globalizado, a despeito da grandeza das informações que temos acesso através dos veículos de comunicação, nosso entendimento do ambiente é caracterizado pela crescente incerteza. Isto evidencia um problema, haja vista que diversas culturas ocidentais possuem a crença de que o entendimento e controle sobre a natureza possa se consubstanciar pelo poder da ciência e da tecnologia.
Considerando que os usos da ciência e da tecnologia podem ser ao mesmo tempo um vetor para práticas sustentáveis e um causador de outras insustentáveis, é preciso ser humilde. É necessário ter o bom senso para reconhecer que nosso melhor conhecimento é incompleto, na melhor das hipóteses, podendo até estar errado a respeito de quase tudo, no pior cenário.
Ao passo que se faz necessária a humildade para reconhecermos que somos limitados e que estamos evoluindo constantemente, sob outro enfoque, precisamos ser arrogantes na tomada de decisões, em face de nossa ignorância inevitável.
É argumento freqüente se dizer impotente e humilde diante da situação atual das coisas. Por outro lado, a arrogância emerge, especialmente em situações que nos trazem conforto e comodidade, na defesa do estado atual de outras coisas. Esta situação não contribui muito para as ações necessárias para remover das sociedades atividades insustentáveis.
Por exemplo, João é morador de um bairro nobre, grande empresário local. Ele é humilde e se diz impotente ao reconhecer que a pobreza no planeta é algo de difícil solução. Por outro lado, sendo dono de uma grande empresa, ele pode desenvolver práticas de Responsabilidade Social Corporativa que diminuam a pobreza em comunidades próximas. Mas acaba se tornando arrogante por acreditar que aquilo não ajudará a diminuir a pobreza no mundo. Ele sabe que pode fazer algo para minimizar a pobreza no mundo, mesmo que de forma isolada em comunidades do seu município, mas opta por não fazer. Situações como esta são freqüentes. Até que ponto seremos humildes para reconhecer certos problemas, mas arrogantes por acharmos que não podemos fazer nada a respeito? Ou até que ponto devemos ser arrogantes para tomar decisões drásticas na busca da diminuição das práticas insustentáveis no nosso planeta?
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