Para o imperialismo, meio ambiente e democracia são campos de batalha

Fonte: Portal EcoDesenvolvimento.org

Por Murilo Gitel

“Nos últimos 30 anos até a atualidade, as três potências do imperialismo global (Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão) estabeleceram dois campos de batalha para a guerra sendo travada: democracia e meio ambiente”. A opinião é do intelectual e economista egípcio Samir Amin, que concedeu uma entrevista exclusiva ao portal EcoDesenvolvimento.org na quarta-feira, 27 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Ele também é diretor do Fórum do Terceiro Mundo de Dakar (Senegal) e do Fórum Mundial das Alternativas.

EcoD: O capitalismo é o grande culpado pelos problemas ambientais do planeta?

Samir Amin: Mais do que o capitalismo (conceito/sistema) em si, o contínuo acúmulo do capital é que leva à destruição do meio ambiente natural e em última instância tem comprometido a vida no planeta.

EcoD: Em um artigo de sua autoria, o senhor lembra que esta hipótese já foi levantada desde o início da década de 1970, quando foi realizada a Conferência de Estocolmo (1972).

Samir Amin: Sim, você tem razão, não é novidade. Mas também não podemos deixar de lembrar que esse ponto foi negligenciado e marginalizado em vários discursos dominantes e práticas de gestão econômica, tal qual uma estratégia dos que estão no poder.

EcoD: Há quem defenda a existência do “capitalismo verde”, um sistema que segue preocupado com o acúmulo do capital, mas que ao mesmo tempo contribui para a sustentabilidade do mundo. O que o senhor pensa sobre isso?

Samir Amin: Na minha concepção é muito claro que ecologia e capitalismo são naturalmente opostos. Na verdade, como já pode ser visto, os oligopólios se apoderaram da ecologia para justificar a abertura de novos campos para sua expansão destrutiva. É no mínimo curioso que o chamado capitalismo verde tenha frequentado, cada vez mais, o discurso obrigatório das pessoas em posições de poder, da direita e da esquerda, pertencentes a tríade (Europa, América do Norte e Japão) – e dos próprios executivos dos oligopólios. Eles almejam a mercantilização dos direitos de acesso aos recursos do planeta. Não nos iludamos. Para o imperialismo, meio ambiente e democracia nada mais são do que campos de batalha em uma guerra particular que busca o lucro financeiro, mesmo que a vida do planeta esteja em jogo. Os genocidas créditos de carbono são uma prova dessa “estranha compensação”.

EcoD: Mas o que pode ser feito então, uma vez que os ideais socialistas defendidos por intelectuais como o senhor parecem mais próximos da utopia do que do alcance de nossas mãos?

Samir Amin: É para tentar resolver isso que você, essa gente toda e eu estamos discutindo aqui em Porto Alegre, meu caro (risos). É um processo constante e complexo.

Para mais informações sobre Sustentabilidade: http://www.ecodesenvolvimento.org

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