Para professor da UFRJ, desenvolvimento deve ser estratégia do Estado

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

O economista João Sicsú, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou à Agência Brasil que o país deve elaborar uma estratégia de desenvolvimento, “uma estratégia de Estado”, que tenha como objetivo final uma sociedade democrática, tecnologicamente avançada, com emprego e moradia dignos para todos. “Uma sociedade ambientalmente planejada, que tenha justa distribuição de renda e de riqueza, que tenha igualdade de oportunidades e um sistema de seguridade social de acesso universal”.

Isso inclui sistemas de saúde e educação gratuitos e garantidos para todos os níveis e necessidades da população. “Acho que esse é o objetivo final”, disse Sicsú. Dentro de uma visão desenvolvimentista, ele apontou que o caminho para atingir esse objetivo “é de múltiplas políticas”. Apesar de listar entre as prioridades as políticas de educação, ambiental e cultural, o economista ressalvou que a política macroeconômica é decisiva nessa estratégia.

“Porque é a política macroeconômica que possibilita a oferta de recursos para que as demais sejam implementadas. Em outras palavras, não é possível ter uma sociedade ambientalmente planejada, uma política de meio ambiente correta, mas não ter financiamento para essa política. E o que garante financiamento para essa política é o modelo macroeconômico”. Para João Sicsú, o modelo macroeconômico é o elemento fundamental para que o Brasil possa ter um projeto de desenvolvimento sendo efetivamente implementado.

Com a ideia de suscitar o debate em torno do desenvolvimento brasileiro, João Sicsú e Armando Castelar, também da UFRJ, organizaram o livro do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Sociedade e Economia: Estratégias de Crescimento e Desenvolvimento. A publicação terá pré-lançamento amanhã (28), na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, e lançamento oficial no Ipea, no dia 4 de junho.

O livro é composto de 23 capítulos que apresentam diferentes visões sobre a questão do desenvolvimento, desde posições liberais até desenvolvimentistas, destacou Sicsú. Posições liberais são aquelas que sugerem que o Estado tem participação reduzida no processo de desenvolvimento. Nas desenvolvimentistas, o Estado exerce a liderança e planeja o desenvolvimento.

João Sicsú avaliou que o projeto macroeconômico deve buscar também o crescimento. “Nós sabemos que desenvolvimento não é sinônimo de crescimento. Mas, nós sabemos também que sem crescimento econômico, não é possível ter desenvolvimento”. O economista lembrou que o crescimento traz arrecadação, abre possibilidades de o governo financiar políticas de desenvolvimento, entre as quais a melhoria da qualidade do ensino, a ampliação do acesso à educação, promovendo a universalização do acesso à saúde de boa qualidade.

Todos esses objetivos dependem do modelo macroeconômico. E esse modelo deve gerar crescimento. “Deve ser um modelo voltado para crescimento com geração de empregos”. A consequência deve ser a formalização das atividades econômicas, envolvendo tanto a formalização do trabalho, quanto da atividade empresarial, de modo a propiciar arrecadação. Segundo Sicsú, a arrecadação é muito importante para que o governo possa fazer gastos de boa qualidade, que gerem emprego, renda e benefício social.

Ele afirmou que a formalização da atividade econômica é a base para que se possa formalizar toda a sociedade, isto é, para que todos os cidadãos tenham sua existência garantida, “por meio de um número e de um endereço, para que tenham acesso a todos os programas sociais, a todo o sistema de seguridade social, à saúde, à educação etc.”

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