Pesquisadora da Unicamp descobre fungo que degrada PET

Fonte: Revista Sustentabilidade
Escrito por Fernanda Dalla Costa

A pesquisadora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, Kethlen Rose Inácio da Silva, descobriu que os alguns fungos facilitam o processo para a degradação de garrafas à base de politereftalato de etileno (PET), a pesquisadora disse à Revista Sustentabilidade.

Vários fungos conhecidos como basidiomicetos de podridão branca, têm sido cultivados em resíduos agroindustriais e usados na degradação de materiais de origem industrial. O Pleurotus sp, estudado por Rose que ocorrem naturalmente em matas no Brasil, sul e centro da Europa e norte da África, fazem parte desse grupo de fungos.

“Imagine se conseguirmos diminuir o tempo de degradação do plástico que é de100 anos para 10 ou 20 anos, o avanço que isso representaria em termos de reciclagem”, disse a pesquisadora.

Os resultados contribuem com a busca por soluções para problemas envolvendo o PET, pois sua reciclagem consume grande quantidades de água e energia, gera resíduos sólidos, emissões atmosféricas e efluentes líquidos.

A aluna de mestrado realizou análises buscando descobrir até quanto o fungo degradaria pedaços de PET e de pellets (pet granulado – bruto). Ela observou alteração na estrutura, viscosidade e superfície dos polímeros, após os 90 dias de testes.

A pesquisa apontou que a situação mais adequada para a biodegradação dos polímeros de PET, é a que simula condições semelhantes ao habitat natural dos fungos, o que os estimula a produzir enzimas e metabólitos (produtos metabolizados pelos microorganismos e liberados no meio) que não seriam produzidos em outros tipos de fermentação.

A pesquisa é pioneira nesse sentido e necessita de mais estudos para ser aprimorada e aperfeiçoada. Apesar disso, os resultados são promissores, segundo Kethlen.

OUTROS PROJETOS

Além deste estudo, a Unicamp têm apoiado outras iniciativas que buscam uma solução ao PET.

De acordo com o informativo da universidade, foi desenvolvido, no Instituto de Química da instituição, um adesivo poliuretânico, a partir do PET, que pode ser aplicado na colagem das diferentes camadas de filmes que compõem as embalagens flexíveis, empregadas para acondicionar alimentos como batata frita e salgadinhos.

O processo, conhecido por reciclagem química, ainda é pouco estudado no Brasil. A tecnologia desenvolvida no estudo utiliza 33% dos polímeros no produto final e já está sendo objeto de um pedido de patente.

O professor Carlos Alberto Rodrigues Anjos também da FEA desenvolveu e adaptou garrafas PET para o acondicionamento de cervejas brasileiras.

Neste caso, o PET é modificado, resultante da mistura com nylon, o que retarda a perda de gás carbônico e a entrada de oxigênio, e que pode ser pigmentado para evitar a ação das radiações, característica fundamental para embalagens de bebidas fermentadas. A garrafa traz uma tampa com rosca, eficiente na vedação e prática na utilização.

O pesquisador afirma que não há alteração no sabor da bebida devido à embalagem, pois o polímero PET é isento de aditivos e materiais que não se polimerizam e, portanto, não se difundem para o produto.

As cervejas embaladas em garrafas PET já estão disponíveis nos EUA, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Canadá, Alemanha e República Checa.

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