Príncipe Charles promete apoio a populações tradicionais da Amazônia

Por Amanda Mota da Agência Brasil

O dirigente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Jecinaldo Sateré, disse (13) que o príncipe Charles, da Inglaterra, prometeu apoio às populações tradicionais dessa região. Durante visita a Manaus, o herdeiro do trono inglês se reuniu com um grupo de representantes de povos da floresta e de populações indígenas do Amazonas, Acre e Amapá.

“Ele prometeu à Aliança dos Povos da Floresta que irá trabalhar alternativas e será um aliado dos povos tradicionais da Amazônia no combate às questões que afetam o bem-estar da região, sobretudo no que se refere ao tema das mudanças climáticas”, acrescentou Jecinaldo.

Segundo ele, durante a reunião foram abordadas questões relacionadas aos problemas da Amazônia, à preocupação dos povos tradicionais da região com o desequilíbrio ambiental e às lutas indígenas para reconhecimento de direitos e de terras, travadas em áreas como a da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Uma carta pedindo apoio da monarquia britânica à criação de um Fundo de Proteção e Conservação dos Territórios Indígenas foi entregue ao príncipe. De acordo com Jecinaldo, o príncipe se comprometeu a buscar alternativas para atendimento das reivindicações e disse que a partir de agora fará parte da Aliança dos Povos da Floresta.

“O desmatamento é um dos principais problemas e, por isso, estamos buscando a criação de um fundo para que possamos garantir a proteção das unidades de conservação, das terras indígenas e, principalmente, garantir a sustentabilidade dos povos indígenas. O príncipe disse que vai analisar e vai apoiar o fundo”, acrescentou o líder indígena.

Charles reuniu-se com os representantes dos povos tradicionais da Amazônia em uma reserva florestal pertencente ao Instituto de Permacultura da Amazônia (IPA), local em que se desenvolve um projeto não-governamental para ensino de técnicas de agricultura permanente. O príncipe fez também uma caminhada de cerca de 400 metros pela área florestal para conhecer o trabalho feito no local.

O fundador do IPA, Carlos Miller, disse que espera ter contribuído com informações sobre as tecnologias que funcionam na Amazônia. O projeto do IPA existe há dez anos e a já capacitou quase 5 mil alunos.

“Esperamos que as informações que o príncipe recebeu no IPA sirvam para ajudá-lo na tomada de decisões de forma mais estratégica. Ter recebido a visita de uma pessoa como o príncipe, que será o rei da Inglaterra e exercerá um papel cada vez mais importante no planeta na sustentabilidade ambiental, é absolutamente fundamental. Trata-se da construção de um processo coletivo entre populações da Amazônia e do Reino Unido, que é um país estratégico”, concluiu Miller..

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