Senac-SP lança curso de arquitetura e urbanismo que inclui sustentabilidade
Fonte: Revista Sustentabilidade
Escrito por Luís Paulo Roque
O novo curso de arquitetura e urbanismo do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de São Paulo (Senac-SP) vai ensinar como introduzir novos materiais e considerar o entorno de um empreendimento para buscar um menor impacto socioeconômico e incorporá-lo à cidade, disse à Revista Sustentabilidade o coordenador de desenvolvimentos de cursos de graduação Alécio Rossi Filho.
“A gente não queria fazer um curso similar aos que já existem, e sim propor que este curso traga uma nova reflexão sobre a construção e sobre a relação das construções com a cidade”, explicou.
Para Rossi boa parte dos cursos existentes na área preparam os alunos para construírem edifícios sem levar em consideração o impacto que esse terá em relação ao fluxo do bairro, cidade que será construído, muitas vezes estimulados pelas próprias construtoras.
Além disso, o curso visa estimular o pensamento do aluno desde o tipo de material até a resolução de problemas urbanos típicos das grandes cidades brasileiras como transporte, integração social e lazer.
Um exemplo é como será abordada a questão da escolha de materiais, que incluirá também o reuso de materiais da própria obra e os fornecedores locais ou tradicionais, e assim evitar a pressão dos fabricantes que tentam convencer os arquitetos a utilizar apenas os últimos lançamento no mercado.
“No fundo, nós propusemos a disciplina de uma forma que eu não estou apontado um único material de agora, e sim para fazer com que o aluno entenda que os novos materiais podem estar a serviço de uma melhor qualidade de vida”, disse Rossi, que é mestre de comunicação e design. “Entender que o local pode fornecer materiais interessantes e adequados que respeitam o meio ambiente e mesmo materiais tecnológicos que podem servir para melhorar a qualidade de vida e diminuir impactos sociais e ambientais não desejados”.
Segundo Rossi, a pesquisa de novos materiais não significa apenas aos voltados à alta tecnologia, que serão abordadas também, mas o resgate de tecnologias locais que podem ser adequadas ao clima para preservação do conforto interno.
O curso, que será ministrado no Campus Santo Amaro da Faculdade Senac, visa desafiar os alunos durante os cinco anos de duração.
A cada ano os alunos terão que encontrar soluções para problemas em cenários pré-estabelecidos, como o deslocamento na cidade, habitações e projetos residenciais. A questão do abrigo individual, por exemplo, parte da busca de uma solução para uma residência familiar com a diversidade contemporânea, e depois aborda a inclusão de soluções desde o bairro até a cidade.
“Iremos provocar os alunos para que eles encontrem alternativas para os problemas propostos”, disse
Para Rossi, a importância do curso é que ele vai tentar mudar a visão de máximo ganho financeiro que o setor imobiliário tem quando desenvolve os empreendimentos.
Segundo o coordenador, a especulação imobiliária de construir novas torres empresariais e residenciais que isolam as pessoas provoca grandes deslocamentos na própria cidade e que estes empreendimentos, no final, são prejudiciais à cidade.
“A gente tem visto isso acontecer em vários lugares, no bairro da Lapa [zona oeste da cidade de São Paulo], por exemplo, que estava abandonado, onde existiam fábricas abandonadas e hoje contém prédios com cinco suítes”, lembrou. “O bairro começou a ser habitado por outro tipo de classe social que não se relaciona com o entorno. Os moradores utilizam carros para chegarem em casa, fazem compras em outros bairros, elas não usam nem as padarias do bairro e vão de carro para casa só para dormir.”
Para Rossi com um planejamento mais amplo é possível fazer com que as pessoas passem a viver mais próximas do trabalho e terem uma estrutura de conforto, de serviços culturais e lazer que permitam uma qualidade de vida melhor.
“Como planejar uma vida melhor, como planejar uma cidade melhor, é o objetivo do curso”, disse.
Para isso, disse Rossi, é preciso entender o patrimônio histórico artístico, valor cultural que a arquitetura tem.
Será um contraponto à maioria dos outros cursos que preparam os arquitetos ignorar os impactos que essa construção vai ter em relação ao próprio fluxo da cidade, no bairro e no meio ambiente. O que é atualmente estimulado pelas construtoras.
Um bom exemplo do oposto e do resultado que o curso quer trazer para as cidades brasileiras, segundo Rossi, é a cidade de Buenos Aires, na Argentina, onde o centro é preservado, com atividades constantes, e as áreas novas de empreendimentos foram planejadas de forma a não deteriorar o centro, o que também preserva o patrimônio cultural.
“Queremos fazer com que as pessoas comecem a entender que qualidade não é ter uma espaço amplo e isolado da cidade, mas é conseguir fazer com que minha casa seja um abrigo confortável confiável e que tenha relação com a cidade, que eu possa ver a cidade, ter tranquilidade para sair na rua, possa aproveitar os benefícios que a cidade tem”, explicou. “Olhar de novo para as construções e não pensar nela como um castelo, isolando públicos específicos uma classe única que não se relacione com o bairro”.
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Comentários
Olá Maria,
Te sugiro entrar em contato diretamente com o Senac-SP, pois eu não tenho esta informação. É só acessar este link:
http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?newsID=a13118.htm&&testeira=1170&unit=CNAL


Quero saber informações sobre o curso de arquitetura do senac. Por favor entre em contato. Obrigada