Sustentabilidade, consciência ambiental e o caso do borrachudo

Por Adriana Garda de Souza*

A maioria das pessoas considera a preservação do meio ambiente importante para sobrevivência, pensando ser possível conciliar este com desenvolvimento. Entretanto, diversas práticas incorretas vão ao contrário deste pensamento. Faz-se necessário uma mudança premente de atitudes. Mas para que um trabalho ecologicamente correto seja bem sucedido, deve-se levar em conta o contexto sócio-econômico e cultural do público que se está trabalhando.

Sabemos que a degradação ambiental põe em risco a saúde do planeta e de seus habitantes, porém as tecnologias de controle ambiental de nada servirão se não houver conscientização da população. As pessoas têm que refletir sobre o uso insustentável dos recursos naturais. Há necessidade de comprometimento com a causa das práticas ecologicamente corretas. Enquanto não houver uma conscientização popular abrangente, as ações não terão continuidade. Para isso, se faz necessário um trabalho de educação para preservação, objetivando a mudanças de comportamentos. Temos o hábito de nos referirmos a meio ambiente como algo separado do ser humano, quando na  verdade fazemos parte do mesmo. É justamente ao nos conscientizarmos que haverá uma postura de compromisso com as atividades de preservação do meio ambiente.

Todavia, a consciência certamente não é o único desafio para que uma mudança mais profunda ocorra. É preciso ter conhecimentos básicos também, que identifiquem e controlem as principais fontes geradoras de problemas ambientais.

Desta forma, programas de controle ambiental podem alcançar bons resultados, onde a população age de forma preventiva, identificando, controlando e minimizando os impactos ambientais na comunidade onde estão inseridos.

Um exemplo marcante é o programa de controle/combate do borrachudo, na Microbacia de Arataca, município de São João Batista (SC). Os pesquisadores descobriram que o problema da super população do borrachudo decorre do desequilíbrio ecológico causado pela drenagem de efluentes (esterco) nos cursos de água, matando os peixes, predadores naturais, responsáveis por manter o equilíbrio do meio ambiente. Aliado a este fato, a caça indiscriminada, desmatamento das margens de rios e riachos e uso excessivo de agrotóxicos potencializaram os problemas com o inseto.

A proliferação dos borrachudos atingiu um nível grave, principalmente quando este teve alimento farto e sem predadores naturais. Pesquisas indicam que o desequilíbrio da população dos simulídeos (borrachudos) ocorreu pela degradação do meio ambiente feita pelo próprio homem, que sempre utilizou seu meio ambiente como um recurso inesgotável sem nenhuma forma de reposição ou conservação. A solução para este problema também está no homem, quando estiver consciente da sua responsabilidade e atingir um nível de educação adequado para preservação da natureza.

Nesse programa do município catarinense, começaram-se as ações de controle/combate com palestras educativas; mutirões de limpeza dos ribeirões; treinamento de aplicação de Bti (Baccillus thuringiensis, var. israelenses), produto natural que só mata as larvas do borrachudo.

Mas para haver uma continuidade no controle da população dos simulídeos, outras ações preventivas já foram programadas, como por exemplo: criação de Lei municipal de defeso de pesca; fiscalização de caça predatória; mutirões periódicos de limpeza de ribeirões, riachos e córregos, onde haja foco de proliferação; recomposição da mata ciliar de entorno dos rios.
As aplicações com Bti deverão continuar em paralelo. O recurso para aquisição dessa primeira remessa foi parceria da prefeitura municipal de  São João Batista (SC), mas pretende-se que a própria comunidade assuma esse custo, como forma também de engajamento, empoderamento e valorização das ações comunitárias.

*Adriana Garda de Souza – Engª Agrônoma Projeto Microbacias2.

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Comentários

O homem sem dúvida faz parte do todo que é a natureza. Um organismo depende do outro e, no final dos ciclos, tudo retorna ao ecossistema para ser novamente matéria prima da vida.
Impossível continuar essa exploração da natureza sem supor que as conseqüências virão. Mas, como bem disse a autora, não basta apenas a consciência, o discurso e a boa vontade. É necessário que os órgãos governamentais, através de sua massa científica e técnica, disponibilizem melhores soluções para que seja possível crescer econômica e socialmente e de forma sustentável.
E cabe a nós cidadão buscar cada vez mais a informação e a mudança de hábitos. Mesmo as ações locais ou individuais geram, com o tempo, admiração, respeito e se propagam como sementes ao vento em busca de um campo fértil para germinarem.
É fundamental ter pessoas engajadas e percebe-se que é o caso da autora do texto e dos responsáveis pelo blog. Ótimo, parabéns!

Excelente trabajo de investigacion Adriana!!!, Felicitaciones!!!

Ser ecologicamente correto virou moda. Podemos encontrar o tema em todos os meios de comunicação, embalagens dos mais variados produtos, campanhas políticas, sacolas de supermercado, propagandas de variadas marcas, enfim, virou mais um elemento de marketing.
Esse tipo de ação não deixa de ter a sua importância pois é necessário informar e conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar de nosso meio ambiente.
Entretando que que realmente vai fazer a dirença é esse tipo de trabalho relatado pela autora, uma ação concreta, sair da teoria para a prática, e isso nem sempre é um trabalho fácil.
Um trabalho de base realizado diretamente com a comunidade dentro da sua realidade. Um trabalho que não dá status, não aparece na mídia, mas que é feito dia após dia, enfrentando todos os tipos de dificuldades possíveis, desde questões culturais até a falta de apoio dos mais variados setores.
Mudar hábitos, um trabalho lento e silencioso.
Mas esse é o caminho, e este modelo de ação deveria ser incentivado e multiplicado pelos orgãos competentes e demais setores da sociedade.
Como bem mencionou a autora, somos parte do meio ambiente, e garantir a preservação dele é garantir a qualidade de vida do ser humano.
Parabéns a autora e a todas as pessoas envolvidas neste trabalho!

Pude conhecer esse trabalho aqui em SÃO JOÃO BATISTA, onde vi que o comprometimento andou junto da consciência. Os resultados são sentidos na pele literalmente, aliás não são mais sentidos, pq os Borrachudos estão “voando em outras áreas né Dona Adriana.” É isso que o compromisso desse povo continue firme. Acredito que um sozinho não pode mudar o mundo, porém se cada um fizer a sua parte teremos um planeta melhor para se viver. Que Deus abençoe a todos!

Excelente trabalho de base! A prefeitura de São João Batista está de parabéns por proporcionar o incentivo financeiro inicial. Oxalá continuem as atividades, de forma mais ampla, e com a participação massiva da comunidade.

Todo trabalho só possui valor quando a praxis é aliada a uma teoria engajada.O trabalho se dá na base, começa na base.Mas sua continuidade não são fogos de artíficio de uma noite de reveillon, requer sempre empenho, trabalho árduo de educação ambiental, conscientização do Poder Público…dos leigos! enfim, esse artigo tem seu valor, mas ainda hoje esse programa continua com necessidade de empenho, luta e persistência! Muitos atores importantes dessas ações não aparecem, heróis anônimos.Mas a mídia, quando divulga e dá continuidade ao processo é uma arma positiva para o sucesso da empreitada!

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