Sustentabilidade não acontece da noite para o dia

Henrique Andrade Camargo, do Mercado Ético

“Sustentabilidade é um processo. Não acontece da noite para o dia. Quem trabalha com o tema deve estar aberto para lidar com dilemas, desafios e frustrações. Todos os dias vamos nos deparar com incoerência. Não há unanimidade. O que temos que ter é coerência e saber lidar com a diversidade”, disse a diretora executiva do Grupo Santander Brasil, Maria Luiza Pinto. Ela participou nesta quinta-feira (1°/10) do primeiro videochat da série “Sustentabilidade na Prática – Caminhos e Desafios”, organizado pelo Santander em parceria com a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

Durante o bate-papo com internautas, Pinto lembrou que sustentabilidade começou a ser trabalhada no Banco Real já em 2000. Na época, o presidente da instituição, Fábio Barbosa, passou a questionar certos princípios da organização. “Ele queria criar um novo banco para uma nova sociedade, que também criasse valor para todos os grupos com quem a instituição se relacionasse” lembra ela.

O primeiro passo foi fazer uma auto-avaliação por meio de um sistema criado pelo Instituto Ethos. O passo seguinte foi a criação de um grupo de trabalho que se responsabilizaria em inserir as preocupações sociais e ambientais a todas as operações do banco, inclusive na parte financeira.

As ações foram ganhando corpo e, então, foi criada uma área específica para a governança da sustentabilidade. “Até 2006, promovemos treinamentos na organização para garantir que o tema estivesse envolvido em todas as áreas”, explica a diretora. Para ela, a área de governança é fundamental, mas sem comprometimento dos indivíduos, nada iria para frente. “Nossa proposta é mudar o patamar de consciência dos indivíduos. O trabalho tem que ser de dentro para fora. Sabíamos que as mudanças seriam mais amplas e efetivas se os funcionários passassem a acreditar e incorporar a sustentabilidade em suas próprias vidas”, completa. E ela garante que o trabalho iniciado no Banco Real está tendo continuidade com o Grupo Santander.

Para outras companhias, sejam elas grandes, médias ou pequenas, Maria Luiza Pinto sugere que, em primeiro lugar, traga o tema sustentabilidade para a pauta de trabalho. “Sustentabilidade tem que estar inserida na vida das pessoas e também na corporação como um todo. É preciso mostrar para o jurídico e para as áreas econômica e comerciais como todos estão envolvidos com a sustentabilidade”, afirma ela. “Seja uma empresa de duas pessoas ou milhares delas, é preciso, em primeiro lugar, definir o foco e começar a agir, nem que seja aos poucos”, explica.

Mas a diretora ensina que um passo é ainda mais importante: assumir a sustentabilidade como sendo algo pessoal. “Só a partir do momento em que se está imbuído nisso é que se pode tentar convencer os outros”, conclui.

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