Um bom negócio?

Henrique Andrade Camargo, do Mercado Ético

Surge, no momento, uma infinidade de projetos para solucionar a questão de emissões de gases que causam o efeito estufa. Um dos mais polêmicos é a de captura e seqüestro de carbono, principalmente nas termelétricas a carvão.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama quer investir 3,6 bilhões de dólares somente este ano em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias que levem a isso. Em 2012, esse montante deve chegar a 7,2 bilhões de dólares.

A idéia, em teoria, é simples. Primeiro, captura-se os gases de efeito estufa quando o carvão é queimado nas usinas. Depois, leva-se esse material a um lugar onde possa ser armazenado com segurança no subsolo.

Mas, na vida real, muitos criticam o risco do investimento. Para esse grupo, os bilhões de dólares deveriam ser gastos em novas tecnologias de energia limpa e na redução das emissões de fontes de energia suja.

Além disso, o sucesso da empreitada é incerto. Nunca antes foi feito o seqüestro de carbono em larga escala. E mesmo pesquisas existentes, como a da companhia petrolífera norueguesa StatoilHydro Sleipner, não foram bem-sucedidas. A empresa, que, desde 1996, armazenava carbono em um aqüífero salino profundo, no Mar do Norte, começou a ter problemas, quando, no ano passado, surgiram vazamentos em suas instalações.

A geologia no local não era tão segura como se pensava. Havia fissuras no solo do aqüífero. O pior é que não se sabe por quanto tempo os gases vazaram dali.

Um relatório do Greenpeace para o caso ressalta o quanto é difícil injetar e armazenar algo em reservatórios subterrâneos. Mesmo em Utsira, que é considerada uma das formações geológicas mais bem estáveis na Terra.

Esses fatores dão argumentos aos críticos do projeto, que questionam se é possível bombear e armazenar esses gases com segurança ou se realmente existam locais adequados para isso. Além disso, o custo-benefício da operação pode não ser vantajoso.

Atualmente, o preço do bombeamento do CO2 no subsolo é muito mais do que o preço por tonelada no mercado internacional de emissões. Em outras palavras, é mais barato investir em novas tecnologias de energia limpa.

O grande ponto nessa questão é a grande dependência dos Estados Unidos por combustíveis fósseis. A geração de energia responde por 80% das emissões de gases de efeito estufa daquele país. Outro fator é o preço do carvão. O elemento é barato e abundante.

Segundo Kelly Sims Gallagher, diretor do Belfer Center for Science and International Affairs da Universidade de Harvard, não há nenhuma fórmula mágica. “Precisamos fazer um pouco de tudo tão rápido quanto possível, a fim de tratar adequadamente a ameaça das alterações climáticas”, alerta.

Já para Daniel Kessler, porta-voz do Greenpeace, projetos de captação e seqüestro de carbono não passam de um truque. “Usa-se isso como uma promessa para o povo americano de que podemos manter a queima do carvão para sempre. Essa é apenas uma outra forma de passar o problema dos combustíveis fósseis para as gerações futuras”, lamenta.

Artigos relacionados:

  1. Renováveis se consolidam como um excelente negócio
  2. Minc anuncia mudanças em projetos de termelétricas
  3. Workshop Jogo Negócio Sustentável em Salvador
  4. EUA avançam na questão ambiental, mas não o suficiente
  5. “A economia precisa ser sustentável e verde”




Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)